30 dezembro, 2006

Arschloch

Eu adoraria dizer que não há nada de errado acontecendo.
Eu gostaria de ignorar algumas coisas, esquecer o tanto que se passou e erguer a cabeça sem me sentir culpado, envergonhado, com medo. Medo inclusive de mim mesmo, deste meu olhar.
O espelho me mostra uma figura estranha, alguém que não sou eu tentando matar o que há da minha essência verdadeira, tentando matar meus sonhos, destruir meus amores, meus desejos, minha vida. Este eu que deseja desistir de tudo, largar construções prontas, outras sendo construídas, algumas por construir. Este eu que não se contenta com nada, que jamais está satisfeito com as coisas que consegue, que jamais está satisfeito com o mundo -porque jamais está satisfeito consigo mesmo.
Eu adoraria ser daqueles que finge estar tudo tranqüilo, que sorri para estranhos enquanto por dentro há um monstro devorando tudo, promovendo o caos. Eu adoraria não ter esta expressão desagradável, antipática, mesquinha; este olhar vago, condenador, que não é capaz de enxergar o longe de onde já ousei chegar. Eu não consigo, eu não sou ator.
Eu tenho raiva disto que me tornei durante todos estes anos. Tenho raiva de ser esta pessoa desanimada, quieta, passiva, que nunca está contente com nada e que, por tal descontentamento, criou um mundinho minúsculo onde cabe apenas um -também minúsculo- seleto grupo de pessoas escolhidas por afinidade e, muitas vezes, pelo destino. Tenho raiva dos meus pensamentos, dos meus têxtos, dos meus desenhos, de tudo o que eu faço: jamais estou contente com uma cria minha, mesmo que multidões me aplaudam de pé. Eu não sei gostar do que é meu, não aprendí a gostar de mim mesmo. Eu sou um grande monte de merda, um grande monte de inseguranças, um grande monte de medos e frustrações, um grande monte de preconceitos e manias, eu sou um grande monte de desejos e sonhos não realizados.
Machuquei tantas pessoas, falei tanto o que não devia, fiz brotar nos olhos de uma pessoa tão querida as mais salgadas lágrimas: fiz parte dos agravos que a levaram para sua morte triste e sofrida. Não pude pedir perdão, não pude reparar meus erros.
Me perdoe...

Eu não queria falar coisas tristes, não queria sempre ver as coisas pelo prisma errado, não queria ser este poço de inutilidades. Não queria estar passando por isto novamente e, apesar de eu estar mais velho que outrora, não sei como serão as coisas daqui pra frente.

Queria poder fingir que está tudo bem, chutar as coisas ruins pro alto e caminhar alegre, ou ao menos fingindo estar alegre.
Eu não sou ator. Eu não estou nada bem.
Não sei se continuo.

Eu sou tão idiota!

29 dezembro, 2006

Valores




De nada adianta fios de ouro bordados em mantas alvas de cetim,
não faz sentido o sentimento fortemente vivido, pelo jeito.
As primaveras trazem a beleza das flores mas,
por acaso,
alguém citou que na primavera o tempo chove também??

Pra quê dedicar tanto e tudo se
realmente
o que parece valer mais é o pau?

O que vale mais é o pau!

Então o sono vem
o lençol está vazio
(palavras não enchem certos espaços vazios)
então toda a beleza parece se perder,
toda a magia cultivada parece se despedir
e o amor parece se perder, perder lugar.
Por que o que vale mais é o pau!!

Depois de ouvir tanto,
ver tanto,
ler tanto,
fingir entender tanto...
há a necessidade do pau.

O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
O que vale mais é o pau!
é o pau!
é o pau!
é o pau!
é o pau!
é o pau!
é o pau!
São os atuais valores.

28 dezembro, 2006

Aloha


Agradeço a todos os que comentaram sobre meus posts ou simplesmente -mas não com menos importância- leram meu blog, meus pensamentos.
Quando criei este espaço assim o fiz com o intuito de escrever sobre o que me viesse a mente, coisas pessoais, minhas opiniões sobre muito e muita coisa. Jamais imaginei que teria alguns leitores assíduos, pessoas a me incentivar a escrever sempre coisas novas, assim como jamais tive a pretensão de aparecer, de ser conhecido, ganhar bilhões -como os rapazes que venderam o youtube- ou encher minha página de propagandas, banners, anúncios. Também não optei por apelar para vídeos obscenos, imagens apelativas ou coisas do gênero.
Esse blog era uma fuga para meu prazer de escrever.

Obrigado por ter participado deste blog à sua maneira, caro leitor(a).
Fica meu forte abraço.

13 dezembro, 2006

Decisão


Não é belo, não é otimista, não segue parâmetros nem tampouco é coerente. É apenas o que eu precisava escrever. Se você gostar, recomende, comente, elogie. Se não gostar, critique, ignore.

_____

Pelo chão do quarto várias roupas jogadas.
Seus olhos encaram uma figura pálida, magra, patética no espelho. As olheiras denunciavam as muitas noites em claro e os olhos, que antes tanto encantavam pelo belo castanho, pareciam agora ter o peso de cem anos.
Peter estava em pé estático diante do espelho do banheiro. Não escrevera nenhuma carta de despedida, não queria dividir seus sentimentos daquele momento como todos faziam nos filmes da TV. A morte é um processo lento que, mesmo quando apressada voluntariamente, não precisa estar estampada nos jornais. Quando o nauseante odor se espalhasse pelo prédio alguém o encontraria, certamente um desconhecido, e aquele momento era único, pessoal.

Foi até a varanda do seu apartamento e olhou a rua quase vazia; apesar daquele ser um dia triste, Peter se sentiu alegre -como a muito não se sentia.Sentiu o vento da manhã lamber seu rosto, acariciar, brincar com seus cabelos como um amigo querido a se despedir. Reparou em um pequeno grupo de crianças que brincavam a caminho da escola e os garis, sempre pontuais, faça chuva ou faça sol, cumprindo seu trabalho. Notou também duas pombas disputarem farelos de pão na calçada.
Olhando para cima viu o céu da manhã em tons cinza e, embora não pudesse ver o horizonte distante, sabia que certamente havia um manto quase roxo perfilhando a linha distante que se une com o infinito. O homem, com toda sua inteligência, soube mesmo como se manter preso dentro de uma imensidão fenomenal, com seus arranha céus, imaginando estar mais próximo de Deus enquanto mata a esperança do seu próximo. Sentiu-se sufocado e pequeno em meio aos blocos mudos de concreto, resolveu entrar para fazer o que precisava ser feito.
Os quadros na parede da sala lhe trouxeram as lembranças de dois anos atrás, quando havia descoberto o gosto pela pintura. Era mais novo, bonito, tinha dezessete, tinha muitos planos, energia e alguns amores. Suas obras eram as mais elogiadas em exposições pela cidade: tornara-se o 'pintorzinho' mais querido da turma. As lágrimas surgiram e, apesar do esforço sobrenatural para contê-las, não foram apenas as pálpebras que ficaram molhadas.
Mas lembrou do seu objetivo e retornou do mundo das lembranças, um mundo perigoso que guardava muitas surpresas e segredos. Preferiu agir logo, não queria cair no erro de se arrepender no meio do caminho como outrora.

'É agora' - pensou consigo.

Um tiro alarmaria os vizinhos e, caso algo desse errado, os médicos ainda poderiam conseguir salvar sua vida e isso era o que ele não queria naquele momento. Enquanto alguns padecem nos leitos dos hospitais, implorando a Deus por mais uma chance outros poucos -por motivos que jamais iremos compreender, porque a taça da dor é diferente para cada um de nós- preferem abandonar seu caminho. Há aqueles que pulam de edifícios, ingerem altas doses de remédios, cortam seus pulsos, mas há também aqueles que não atentam contra seu corpo: estes preferem ignorar os amores da vida, deixar de lutar pelos seus sonhos. Perdem o sorriso dos lábios e a luz do olhar; estes sofrem a mais terrível morte que pode existir.
Peter quase optou por jogar-se na água mas sua fobia não lhe permitiria, nem em circunstâncias tão especiais. Um pavor existente desde sua infância que ninguém sabia explicar.

Abriu as caixas de remédio e retirou os comprimidos com pressa; alguns caíram no chão mas não faziam falta: para cada um que caiu havia pelo menos três sobre a pia do banheiro. Neste momento agradeceu ao curso de medicina que estava fazendo e pelo estágio -não remunerado- no hospital da cidade. Os meses de trabalho na 'casa das dores' (como Peter gostava de se referir a hospitais) estavam sendo recompensados, e muito bem pagos, naquele instante.
Se jogar da varanda do seu apartamento também seria uma solução simples e, praticamente, indolor. Aprendera no curso que, com a pancada da cabeça no chão, seus reflexos se desligariam e não sentiria dor alguma, caso conseguisse -milagrosamente- sobreviver à queda. Contudo, a cena de um crânio aberto no meio da calçada não é algo agradável de se ver e, naquele momento, Peter não estava interessado em chocar ninguém. Poderia vir a ser o trauma eterno de uma criança que passasse na rua...Melhor deixar para morrer quietinho em seu quarto, assim quem o encontrasse seria treinado para tais situações, trabalharia com isso diariamente, não seria um choque.

Terminou de preparar seu 'café-da-manhã' sobre a escura pia do banheiro, encheu um copo com água e, meio desajeitado, apanhou o primeiro monte de comprimidos e os ingeriu. Fitou seus próprios olhos no espelho mas não sentiu culpa ou se arrependeu: iria até o fim! Aos poucos aquele monte de remédios ia desaparecendo e, depois de alguns minutos, Peter precisou de mais um copo d'água.

'Falta pouco' - murmurou baixinho, olhando a água no copo.

Uma sirene de ambulância fez-se ouvir perto dali. Seus ouvidos ouviram mas ele não se preocupou, não correu até a janela mais próxima para ver o que era, com quem era, algo que todos fazem quase instintivamente. Ele já não precisava se preocupar com isso, estava se libertando de tudo naquele momento.

Restavam as últimas seis. Tomou-as sem pensar duas vezes. Fazia pelo menos dez minutos que ele começara a beber a morte e, até então, nenhum efeito aparente. Largou o copo sobre a pia e moveu-se para o quarto, atravessando um sem-número de roupas espalhadas pelo chão. Nunca fora organizado e, ao contrário de uma tal 'Verônika' de um tal livro famoso -de um tal escritor mundialmente conhecido- ele não iria arrumar toda a casa para morrer. 'A morte não há de ligar para a bagunça, só precisa me levar com ela.'
Sentou-se na cama e observou seu último quadro pintado, um bosque verde que se perdia na imensidão da distância. De longe contemplou sua obra e sentiu-se contente por ter, um dia, conseguido pintar algo tão belo, tão puro, tão pessoal. Teve a certeza de que foram bons tempos.
De repente percebeu que tudo estava silencioso demais, uma calmaria sem igual. Percebeu a sensação que teve quando, ainda pequeno, viajara para a praia e seus ouvidos ficaram 'entupidos'. Uma sensação engraçada e que toda criança adora enquanto brinca de desenhar no vidro do carro. Uma leve dormência passou pelos seus pés e mãos, se instalando e crescendo cada vez mais. Peter ficou contente, parecia que os remédios -enfim- estavam fazendo efeito.



Então, sem qualquer aviso ou cerimônia, sentiu a primeira pontada no peito que o fez deitar na cama. Parecia que uma faca havia sido cravada em seu coração neste momento. Levou a mão ao local da dor e outra agulhada se fez sentir, mais forte que a primeira.
E outra. E mais outra.
Apesar de Peter estar alcançando seu objetivo sentiu, neste momento, um medo irracional e suas mãos dormentes buscavam -sem força- agarrar o lençol da cama, enquanto seu corpo inteiro se retorcia de dor. O instinto natural de sobrevivência não concordava com a idéia de Peter e se agussava a cada enjôo, a cada pontada em seu peito. Estava ficando sem ar, ficou tonto enquanto se enrolava na fina e gostosa coberta marrom, presente de sua querida mãe antes de falecer.
Jamais sentira algo igual: a dor era terrível mas o jovem rapaz -apesar do medo- não estava arrependido; sentiu uma corrente elétrica passar pelo seu corpo dos pés a cabeça e retornar para o ponto de origem, várias vezes seguidas. Olhou para a parede branca ao seu lado e tudo parecia embassado, confuso, ele tinha perdido a noção do espaço. Sentiu seu corpo leve e tudo parecia estar girando ao redor dele, então sentiu um forte enjôo.

'Se vomitar não morro' - ele sabia .

Na sala, o telefone começou a tocar. Peter ouviu mas não deu importância, parecia que havia um cachorro vivo em seu estômago, o devorando cruelmente aos poucos.

'Esta é a caixa de mensagem (...) Deixe sua mensagem após o sinal.'

'- Alô, filho? Estou ligando pra avisar que devo chegar depois de amanhã por aí, na hora do almoço. Amanhã pego o avião com escala e devo chegar até a hora do almoço. Saudades de você, meu querido.
Abraço, filhão. Te amo muito.'

Peter estava paralisado sobre o lençol retorcido e nenhum músculo se mexia. A vista estava cansada e sua cabeça, ao contrário do restante do corpo, parecia pesar uma tonelada. Sentiu um gosto amargo, porém adocicado, e sua boca ficou úmida, estranha. Tentou se mexer mas não conseguiu, seu corpo não obedecia suas ordens, parecia não estar mais ali. Em um esforço descomunal conseguiu abaixar os olhos e ver, próximo ao seu rosto, uma grande mancha escura no alvo lençol que, antes, tão branco era agora tinha uma cor vermelho escuro.
Uma lágrima rolou dos seus olhos semi-abertos e Peter se sentiu livre, feliz, antes da escuridão tomar conta dos seus olhos, da sua vida. Pensou ter ouvido novamente uma sirene na rua, talvez estivesse delirando.



Já não fazia diferença, não naquele momento. Nem nunca mais.

J.L
(Trovador Solitário)
_____

11 dezembro, 2006

Me and road



Eu sou aquele que, sentado na varanda, escreve lindos versos enquanto aprecia o horizonte calado, mórbido, distante das suas mãos -mas dentro da sua mente, do seu coração, presente em cada letra ferida no alvo papel.
Eu estou em todas as palavras que saem da sua boca, estou no jornal antigo, esquecido, largado sobre a também antiga mesa de centro. Estou em cada migalha do pão que lhe alimenta, posso saciar sua fome.
Eu sou o dono da verdade que dita as mentiras do mundo, sou uma centelha de Deus, sou a mão do recém nascido e os olhos tristes do senhor em seu leito de descanso.

Eu sou a estrada sem fim onde você, descalço e sem alforjes, trilha seu caminho, cumpre sua peregrinação, busca suas vitórias.
Sou a pedra que lhe derruba e a mão do samaritano a socorrer suas chagas. Estou no sol, nas folhas, no riacho que, mesmo sem força e pequenino, busca o oceano para, em determinado momento, explodir com sua força majestosa em um belo espetáculo de beleza na beira da praia. Sou as ondas calmas, sedutoras, que molharam seus pés, que lhe trouxeram àquelas conchas prateadas.

Sou o livro que você deseja ler mas não o faz; sou do escuro do quarto a sensação mais voraz, mais completa, mais tensa e inacreditável. Eu vejo você mas você não me vê. Eu estou em você mas você, assim como, estás em mim. Estou em cada vão momento eterno da humanidade, nos massacres, nos genocídios, nas declarações de amor dos anos 40, em cada sorriso sincero, em cada lágrima pela perda, pela vitória, pelos anos que se passaram e pelas horas que nos faltam.

Do relógio a badalar sou o ontem que se perdeu no espaço e o amanhã que, nem em sonhos, você poderá visitar hoje. Sou a falta de carinho e as rosas na sua porta; a porta que liberta e o olhar apreensivo do menino que nos exorta.

Eu amo gatos...


Quer me deixar alegre? Mostre-me um gato :)

O Chamado


Lembra de 'O Chamado'???

Scrivimi - Equilíbrio Distante

Composição: Nino Buonocuore


Renato Russo: voce
Carlos trilha: tastiere, programmazione
Paulo Loureiro: Chitarre acustiche
Arthur Maia: basso

Scrivimi
Quando il vento avrà spogliato gli alberi
Gli altri sono andati al cinema
Ma tu vuoi restare sola
Poca voglia di parlare
Allora scrivimi
Servirà a sentirti meno fragile
Quando nella gente troverai
Solamente indifferenza
Tu non ti dimenticare mai di me
E se non avrai da dire
Niente di particolare
Non ti devi preoccupare
Io saprò capire
A me basta di sapere
Che mi pensi anche un minuto
Perché io so accontentarmi
Anche di un semplice saluto
Ci vuole poco
Per sentirsi più vicini
Scrivimi
Quando il cielo sembrerà più limpido
Le giornate ormai si allungano
Mas tu non aspettar la sera
Se hai voglia di cantare...
Scrivimi,
Anche quando penserai
Che ti sei innamora...ta
E se non avrai da dire
Niente di particolare
Non ti devi preoccupare
Io saprò capire
A me basta di sapere
Che mi pensi anche un minuto
Perché io so accontentarmi
Anche di un semplice saluto
Ci vuole poco
Per sentirsi più vicini
Scrivimi
Anche quando penserai
Che ti sei innamora...ta,
Tu scrivimi

_____________________

Escreva-me
quando o vento tiver desfolhado as árvores,
os outros tiverem ido ao cinema
e você quiser ficar sozinha.
Se você não quer falar muito
então escreva-me.

Servirá para fazê-la sentir-se menos fraca.
Quando nas pessoas encontrar
somente indiferença,
nunca se esqueça de mim.

E se você não tiver
nada de particular para dizer
não precisa se preocupar,
eu saberei entender.

Pra mim, basta saber
que você pensa em mim ao menos um minuto,
porque eu sei ficar contente
mesmo com uma simples saudação.

É necessário tão pouco
para sentir-se mais perto


Escreva-me
quando o céu parecer mais claro.
Os dias agora se alongam
mas não espere pela tarde.

Se você tem vontade de cantar,
escreva-me!
Mesmo quando você achar
que está apaixonada...

Escreva-me

09 dezembro, 2006

Photoshop?? Não obrigado, tenho GIMP


Um dos meus trabalhos no GIMP, começarei a postá-los também...
(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho natural)



08 dezembro, 2006

To be continued




O ano está acabando -mesmo parecendo que começou ontem- e preciso rever alguns pontos positivos e negativos de mais uma etapa quase concluída (já foram tantos começos e recomeços...). A humanidade resolveu dividir o tempo em anos, meses, dias, para que, em determinado momento, paremos e reavaliemos tudo o que passou. Então podemos sorrir -ou chorar, e nos iludir com esperanças inverídicas, jogar a sujeira para debaixo do tapete e continuar em um 'ano novo' muito mais feliz e belo, que terminará como este em que nos encontramos.
E o ciclo novamente continua.

Fiz muitos planos para este ano e me orgulho de ter conseguido concluir alguns deles -se não se pode alcançar o topo definitivo da montanha, erguemos aqui então nossa bandeira e sorrimos pela conquista, pois o mérito é válido. O maior objetivo deste ano (e de toda a minha vida até então) está para ser concluído dentro de alguns dias e então, sim, uma nova etapa recomeçará.
Alguns vícios foram abandonados nesta parte do caminho, hábitos estranhos se solidificaram e alguns, que apesar de me fazer mal, voltaram nestes últimos tempos com o andar da carruagem.

Houveram mudanças de moradia, de personalidade e ideais. E mais algumas menores que não convém citar. As mudanças vieram em um bom momento, pois já me sentia meio perdido -mais que o habitual- e sem um centro em meio a tantas informações a me rodear. Cresci muito como pessoa neste espaço de tempo, descobri algumas coisas novas, relembrei fatos já quase esquecidos pela mente ocupada com um sem-fim de projetos paralelos. Abandonei alguns caminhos mas sem me arrepender depois, afinal os motivos foram os mais sagrados possíveis.

Perdi pessoas queridas, conheci outras fantásticas. No jogo das portas 'on-off' me sinto bem no exato momento; sei que as coisas poderiam ser diferentes, mas assim precisam ser. E quem já não está mais ao meu lado estará -sempre- em meu coração e minha lembrança mais doce e carinhosa.

No momento minha saúde está ruim, poderia estar sem dúvidas muito melhor, sei disso. Meu humor está como de costume; a labilidade constante é marca deste primata e, por Deus, sempre me acompanhará em minhas idas e vindas.
Estou, mais um primata entre milhares, aguardando a tão esperada virada de ano, para sorrir, abraçar pessoas que jamais vi na vida -ou vejo com muita pouca freqüência- e acreditar que tudo será melhor em um novo ano que se inicia.
Assim é a vida, não é mesmo?

Por Renato Russo, The Stonewall Celebration Concert





You made up your mind it was time it was over
After we had come so far.
I think there's enough pieces of forgiveness
Somewhere in my broken heart.

I would not have chose the road you have taken,
It has left us miles apart.
I think I can still find the will to keep going
Somewhere in my broken heart.

So fly. Go ahead and fly,
Till you find out who you are.
And I, I will keep my love unspoken
Somewhere in my broken heart.

I hope that in time you will find what you long for.
Love that's written in the stars.
When you finally do, I think you will see
It's somewhere in my broken heart.

Girl, I, I will keep my love unspoken
Somewhere in my broken heart.

I hope that in time you will find what you long for.
Love that's written in the stars.
When you finally do, I think you will see
It's somewhere in my broken
Somewhere in my broken
Somewhere in my broken heart.

Meu momento



Tenho tanto para escrever, as idéias borbulham e a chaleira apita. Mas as palavras, tímidas, teimam em se esconder, brincar comigo de um jogo cruel que tanto me deixa confuso, inquieto, impassível.
A tela do computador ilumina as brancas e tristes paredes do quarto enquanto eu, mesclado às paredes, vejo as horas passarem, as idéias fluírem, o papel em branco. Meu Deus, o que há de tão equivocado neste momento? Será que o apreço pelas letras se foi junto às folhas secas com o último vendaval? Desde então minhas rimas são pobres -não que fossem ouro, não senhor, não tanto- e minhas idéias se recusam a ganhar formas sobre as árvores industrializadas em minha frente. É como ter o rio diante dos olhos e morrer de sede.

Não se deve apressar a inspiração.

06 dezembro, 2006

Happy Together - The turtles

Imagine me and you, I do
I think about you day and night
It's only right
To think about the girl you love
And hold her tight
So happy together
If I should call you up
Invest a dime
And you say you belong to me
And ease my mind
Imagine how the world could be
So very fine
So happy together

I can't see me loving nobody but you
For all my life
When you're with me
Baby the skies will be blue
For all my life
Me and you
And you and me
No matter how they tossed the dice
It had to be
The only one for me is you
And you for me
So happy together


Me and you
And you and me
No matter how they tossed the dice
It had to be
The only one for me is you
And you for me
So happy together
So happy together
How is the weather
So happy together
We're happy together
So happy together...

____
Já conhecia esta música há muito tempo, mas não lembrava. A conhecí no filme "The adaptation", com Nicolas Cage.

Fim de tarde

Sentados na cama eles se olham, se desejam, flertam como adolescentes no colégio. As mãos úmidas sobre o lençol denunciam o que tenta se esconder por detrás de um tímido sorriso. A mão dele desbrava o desconhecido, viaja no espaço e alcança o rosto daquela linda moça a sua frente. Os lábios se apresentam depois, secos, quentes, com a pressa ditada pelo momento e local inoportuno.

Ah, aquele beijo... Tão cheio de malícia, de carinho, tão esperado entre as chatas manhãs vazias é encontrado em um fim de tarde repleto de alegria. As mãos se enroscam nos cabelos finos e lisos, as línguas provam um sabor divino, a maçã quase proibida, mas que, ao contrário da anterior, não expulsa, mas sim concede o paraíso. A canção suave no toca-disco embala a dança.

A boca que diz ‘não’ é sufocada pelo coração que pede mais, que diz ‘sim’ e que quer sentir este fogo eterno aquecer tudo. As peças de pano que escondem o ser sagrado criado pela mão da perfeição agora caem ao chão, uma a uma, na explosão da liberdade, na ância pelo calor do atrito. Leves mordidas, arranhões desesperados, dois corpos loucos na batalha pela união, pela partilha de sentimentos buscam agora explodir no prazer de amar.

A língua sente o sabor molhado das pétalas da mais bela rosa existente, enquanto sussurros se fazem ouvir ecoando no ar. Sabor como este não há em lugar algum neste mundo a não ser ali, no portal da nova vida, no solo onde a semente é semeada. As pequenas mãos brancas se contorcem, buscam agarrar algo além dos travesseiros; os pés tão lindos se debatem sem compasso, sem ritmo, comandados apenas pelo prazer do momento.

Os cinco sentidos se unem, faz da união uma explosão de cores e sinfonias. A energia circula seu corpo neste momento e um grito seco foge desesperadamente ganhando liberdade entre as paredes do quarto. Com os olhos fechados, sentindo o corpo ter uma tonelada ela, paralisada, percebe uma boca escalar seu corpo como se o quisesse enxugar, secar todo aquele suor. Sentindo o salgado sabor dos lábios de seu amado ela sente ser invadida, ser tomada de salto sente cada contração causada pelos movimentos repetidos, rítmicos, sensuais. Acha que vai desmaiar de prazer, mas isso não acontece, os deuses guardaram este momento único para os dois e não seria leal da parte deles aprontarem isso com ela.

A cada movimento, a cada mordida, os pêlos vão se eriçando, criando a camada protetora sobre a pele do rapaz. Em meio aos urros e gemidos típicos do momento o calor banha os dois, enrolados no alvo lençol sobre o colchão. Ela sente o calor, ele também. Exaustos, se beijam e, abraçados, adormecem enquanto o disco, com a mesma música calma termina de rodar no tocador.

05 dezembro, 2006

Atualidades de algo já antigo (esquecido).




Estamos sendo projetados para não amar mais. Sim, não amar.
Parece uma afirmação estranha, equivocada, mas é a nossa realidade. Qual o real motivo, senão este, para os relacionamentos não durarem o que antes duravam? Hoje em dia você declara amores infundados -porém belos, magníficos- para alguém que não lhe quer, ou que quer apenas uma noite, uma festa, um pó, um cigarro de você. Quer sua bunda, quer lençóis, quer sua boca e nada mais.
Não há mais amor nos dias de hoje, ou talvez haja medo de amar.
O futuro da nossa geração é estranho, parece que não haverão mais casamentos duradouros, não haverão casamentos!! Ninguém dá a mínima para o que você sente, você não dá a mínima para um 'eu te amo' que se ouve por telefone, que se recebe com flores e chocolates, que se diz assim, baixinho no ouvido. E nossas crianças, como ficarão? Deverão se acostumar com este ritmo e, assim sendo, prosseguir neste ciclo vicioso desgraçado, onde nada é para sempre, onde não se respeita mais os sentimentos tão puros que outrora habitavam nossos lares, nossos corações?

Os relacionamentos não são mais feitos para durar. Infelizmente.

02 dezembro, 2006

A dança

Esta vai para os 'homens' desta geração profética da água engarrafada que não páram para olhar nos olhos de uma mulher e dizer um simples 'obrigado', 'bom dia', 'desculpe-me', 'eu te amo'. Para os 'homens' atuais que preferem mostrar a 'supremacia masculina' através da brutalidade, quando poderiam demonstrar o amor com rosas vermelhas.

Letra de renato Russo, do disco 'Legião Urbana'

Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Pra acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então espécie rara
Só a você pertence
Ou então espécie rara
Que você não respeita
Ou então espécie rara
Que é só um objeto
Pra usar e jogar fora
Depois de ter prazer.

Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.

Você com as suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Pra comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Você está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade.

Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar

Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar.

Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar.

01 dezembro, 2006

Meu dia.


Quero abrir as janelas do meu quarto e me alegrar por tudo o que eu já fiz,
quero olhar o céu e ter certeza que alguém olha por mim.
Eu quero ler meus livros, ouvir minhas músicas,
escrever meus poemas sem precisar ser correto
(não há motivos para isso)
sem precisar ser coerente,
precisando apenas ser sincero, comigo e para quem escrevo.
Meus dias passam devagar e eu quero ser feliz
ao menos uma vez.
Quero sorrir para a pessoa certa,
quero ler boas notícias no jornal,
jogar o papel de bala no lixo,
eu já parei de fumar.
Eu já não vou morrer tão cedo.
Eu ainda tenho tempo para amar.
Amar a mim mesmo.
Amar a vida.
Amar as pessoas ao meu redor.
Amar a Deus sobre todas as coisas.
Amar meus amigos.
Amar meus inimigos.
(é tão difícil)
Amar quem merece e quem não merece ser amado,
pois o amor, seja ele como for, é um sentimento único,
insolúvel, belo e sagrado.

Eu me amo, e você?

Hoje eu quero acordar e ser feliz.

29 novembro, 2006

Este sou eu


"Sou o menino e o senhor;
o primeiro a brincar,
o outro sem pensar no depois.
Sou todas as flores dos imensos jardins do mundo,
das declarações apaixonadas nos portões,
nas cortinas bordadas nos varais,
entre os dedos gélidos, dentro de tristes caixões.
Sou da furia, tempestade
e a amizade que renasce a cada novo amanhecer;
se me perguntas quem sou, respondo 'não sei',
se (acenando) me perguntas a onde vou,
finjo não ouvir, sorrio e sem rumo caminho, mas sem me perder.
Sou o rapaz apaixonado pelo retrato,
a semente inerte na terra a germinar.
Espalho meus galhos, quem sabe?
E em meio a abraços, a mulher que amo um dia poder beijar.
Sou o poeta que escreve o amor,
o medroso que do escuro se esconde,
o menino a brincar de ciranda,
o fim de vida que chega ao mendigo, assusta a mulher,
é a vida do doutor.
Sou as pedras que formaram esta areia
onde seus pés, tão belos, se acomodam ao entardecer.
Sou o pôr-do-sol, inocente, vermelho.
Sou o mar que espera a lua,
o amor,
a vida,
o pescador que também espera a sereia,
o concretismo dos velhos versos,
as palavras rabiscadas no espaço infinito,
o pensamento que não vagueia.
Eu sou tudo o que quero ser,
e, ainda que nada eu queira ser,
serei eu, serei você."




Veja!

Querida, vejo os passarinhos brincando na janela,
sinta o vento soprar sua canção enquanto preparo o café, querida.
Veja! O céu está azul, as crianças estão brincando no terreno;
um tempo bom que já não nos volta mais.
Querida, venha cá: quero lhe beijar.
Lembra de quando lhe disse que te amaria eternamente
em um triste café ao sul da Espanha?
Lembra de todas as palavras que eu lhe disse
desde aquele dia até hoje
sobre o meu amor por você?
Querida, eu jamais mentí para você
e todas as palavras foram com o maior carinho que havia em mim.

Querida, veja os passarinhos a cantar na janela.
Veja nosso dia passando como um trem desgovernado
no instante em que a TV anuncia tantas coisas tristes.
Venha cá, querida, quero lhe abraçar
como um amigo, irmão, namorado,
como alguém que nem lhe conhece
mas que se encanta com a beleza do seu olhar
com a magia do seu sorriso.
Eu já lhe disse tanto, querida,
há tanto ainda a se dizer,
a ser mostrado,
tantos beijos,
tantos carinhos, tantos abraços.
Querida, veja os passarinhos que continuam, fieis, na janela.

O triste medo de amar.

Eu queria te fazer feliz.
Todos os meus carinhos seriam para você,
as rosas vermelhas e sua beleza
seriam só tuas.
Eu queria lhe fazer feliz.
Pegar sua mão e caminhar,
como uma criança ingênua, parar e olhar
a imensidão do mundo a nosso redor.
Mas não é possível, querida,
você tem medo do que é belo
medo da manifestação de um sentimento tão puro
medo de sentir algo que Deus escolheu
você para abrigar.
Você tem medo, querida e
eu só queria te fazer feliz.
Quando a chuva cai eu imagino
"onde estás?"
mas você não me vê, querida
você tem medo, você tem medo.

É tão difícil entender as coisas
como elas precisam (precisam mesmo?) ser.
Não há mais bondade nos sorrisos e
a luz no fim do túnel
parece que agora já não se acenderá mais.
São todos os caminhos de nossas vidas,
com uma oração peço que o Senhor lhe guarde
com toda a pureza de um paraíso sem fim,
toda a pureza do amor que aqui habita,
toda a sinceridade de palavras muito mais que bonitas,
e no meu sorriso, verso e melodia
eu só queria te fazer feliz.

Tantas palavras faladas,
tanto amor sentido,
tantas juras de fidelidade e hoje
o que sobrou foi a lembrança de alguém
perdida no medo de amar.
Mas o amor perdura, supera tudo isso.
O triste medo de amar.
E eu só queria te fazer feliz,
pegar sua mão e caminhar
ignorando as pessoas más ao meu redor,
tendo olhos apenas para você, óh querida.
Mas, você tem medo de amar.

E eu só queria te fazer feliz com meu amor.

21 novembro, 2006

A natureza




O céu agora tão azul, exibindo belos flocos brancos de algodão que deslizam na imensidão do infinito, não fazem mensão alguma a chuva, carrasca, que caiu agora à pouco. A chuva que molhou do menino a brincar de pega ao idoso solitário na janela, vendo as pessoas -e a vida- passarem.
Quem dera fossemos como este céu, como a mãe natureza, que tal qual uma criança que sorrí alegre após uma bronca, abre-se em tons azul celeste. Se pudéssemos ter esta calmaria, se para nós o sol pudesse nascer sempre logo após uma tempestade a vida seria tão mais bela: não haveriam tantos corpos inocentes ao chão, bombas não precisariam ser construídas para, da forma mais cruel existente, propagar o medo e o caos. Até mesmo as flores poderiam desabroxar mais vezes fora da primavera.
A natureza nos ensina a viver, nós matamos a natureza.
Nós morremos sem entender.

20 novembro, 2006

E se a hora chegar?

Já ví tanto nesta vida,
mas ainda há tanto para ser visto.
Quantas manhãs mais eu terei a graça de viver?
Será que eu verei o sol nascer amanhã?
Será que a chuva molhará novamente meus cabelos lisos e castanhos?
(que molhados tão negros ficam)
Poderei amar a pessoa que mora em meu coração?
Ouvirei minhas músicas antigas
e meus antigos livros ainda receberão minha atenção?
Não sei.
A lua no céu
me verá na varanda novamente
enquanto flerto com as estrelas?
Poderei me despedir dos -poucos- amigos?
dos -poucos- familiares?
dos companheiros de Bom Combate?
da pessoa que amo?
Poderei me arrepender dos meus pecados, Senhor?
Não sei.
Não sei.

No beco...





Sentado no beco ele olha assustado.
Ternos chiques passam por alí como se o mundo fosse acabar em poucos minutos (quem sabe?), e a brisa da manhã envolve aqueles corpos sarneados entre os jornais antigos (os jornais que dizem: o mundo vai melhorar!!). Com fome, sim, mas já não faz diferença pois, daqui a pouco, os moradores tirarão o lixo para fora. O lixo se junta ao lixo.
(essas pessoas jogam tanta coisa que poderia ser aproveitável...)
Não há tempo para pensar, é preciso vencer, na pressa, as baratas e ratos que irão dividir o banquete.

Sentado no beco ele olha assustado.
Com movimentos rápidos e profissionais ele amassa, destroi, 'dexava' a liberdade em suas mãos.
Estas meio trêmulas procuram desordenadamente um pedaço de papel -carinhosamente chamado de 'leda'- para o sossêgo. É preciso precisão cirúrgica para deixar bem apertado, não perder a magia, a mágica, a confusão e a liberdade que não se consegue nos dias de hoje por meios "lícitos".
Pronto, apertado!
O fogo que queimou bruxas no passado, serviu de arma por católicos filhos da puta fanáticos por poder; o mesmo fogo que foi usado por tantos SS em campos de concentração para dizimar os corpos inertes de judeus inocentes agora, alí, servia para dar sossego a uma alma que não tem horizontes belos, que não possui um lar que não a rua, que não possui carinho senão o dos cachorros que lhe lambem os pés. Este mesmo fogo que devora o ar para manter-se vivo também auxiliava o garoto nas suas viagens, nos seus poucos momentos de prazer no beco.
A fumaça sobe lentamente daquele que se batiza na boca de quem o usa, na boca daqueles que o usam como escape para seus inúmeros problemas. A maresia é inevitável mas o garoto não está preocupado com isso, não há com o que se preocupar.

Sentado no beco ele já não olha mais assustado. Não há o que temer, não agora.

Mais palavras

O céu parece mais limpo,
os pássaros estão entoando uma cantiga diferente,
meus livros estão limpos na estante,
os caminhos são outros, a vontade de viver também.
Há quem diga que seu céu vive nublado,
e que a ponte entre o visível e o invisível não existe.
Ora bolas, pare com isso José!
o mundo é tão grande, você tem tantos Áz nas mãos
continue jogando, querido.
Não preciso rimar,
não preciso me explicar,
você consegue, assim, me entender,
e se for difícil pra você
finja, querida. É o que mais todos
sabem fazer.

19 novembro, 2006

Vidas quentes

Sentado na varanda, ele finge estar interessado no grosso livro em suas mãos. A história não é mesmo muito empolgante, mas, para todos os efeitos, uma pessoa compenetrada em um livro sempre passa a idéia de inteligente, culto. A água na garrafinha não chegou nem na metade ainda e já está quente.
Bosta!
O calor é insuportável até mesmo para intelectuais de fim de semana.


O telefone toca, mas não é preciso se levantar para atender, saber quem é. Quem quer que seja ligará de novo mais tarde -se for importante- quando ele estiver deitado no sofá hipnotizado pela TV. 3 ou 4 metros é uma distância considerável quando se está lendo um livro grosso e importante na varanda, enquanto se toma uma água quente.

18 novembro, 2006

Caminhos I - II (Paulo Coelho)

I

Você me pergunta
Aonde eu quero chegar
Se há tantos caminhos na vida
E pouca esperança no ar
E até a gaivota que voa
Já tem seu caminho no ar
O caminho do fogo é a água
O caminho do barco é o porto
O do sangue é o chicote
O caminho do reto é o torto
O caminho do bruxo é a nuvem
O da nuvem é o espaço
O da luz é o túnel
O caminho da fera é o laço
O caminho da mão é o punhal
O do santo é o deserto
O do carro é o sinal
O do errado é o certo
O caminho do verde é o cinzento
O do amor é o destino
O do cesto é o cento
O caminho do velho é o menino
O da água é a sede
O caminho do frio é o inverno
O do peixe é a rede
O do pio é o inferno
O caminho do risco é o sucesso
O do acaso é a sorte
O da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte...



II

Assim como
Todas as portas são diferentes
Aparentemente
Todos os caminhos são diferentes
Mas vão dar todos no memso lugar
Sim
O caminho do fogo é a água
Assim como
O caminho do barco é o porto
O caminho do sangue é o chicote
Assim como
O caminho de reto é o torto
O caminho do risco é o sucesso
Assim como
O caminho do acaso é a sorte
O caminho da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte


Paulo Coelho. Música por Raul Seixas

17 novembro, 2006

Garatéia




Vamos ver as ondas quebrarem n'areia
e esquecer das dores de um coração partido.
Vamos festejar a passagem do ano velho,
comer muita lentilha
(sim, me disseram que é bom!!)
pular 7 ondas para Iemanjá,
deixar no passado tanta coisa bela que passou.
Lembra daquela canção, minha querida?
ela contava sobre coisas da vida
coisas que hoje já não acontecem mais
(ou estaria eu sendo muito pessimista?)
Você se lembra, querida?

Os anos vão passando
e os olhos que outrora carregavam a luz da juventude
agora começam a denunciar a escuridão da morte.
O rosto antes tão formoso,
os lábios que tão doce se mostravam nos sorrisos,
nas janelas,
hoje parecem se esconder, envergonhados.
Quem foi que dividiu o tempo em dias, meses, anos?
quem assasinou a esperança desta maneira?
É preciso aproveitar ao máximo o tempo que se tem.
Hoje é o seu aniversário, querida,
amanhã pode não ser o meu também.

Abra as cortinas
deixe o sol penetrar na pele nua repousada sobre os lençois.
Deixe o mundo recomeçar, minha querida
somos peixes fisgados por imensos anzóis.
E quando o campainha tocar,
anunciando minha chegada,
não diga que está de saída
eu posso não aparecer mais.
Nunca mais...

Enquanto você sonha em meio aos lençois
nós somos pequenos peixes fisgados
por imensos anzóis.

Nothing...

12 novembro, 2006

Viagem

I


Bom dia, o senhor aceita um cafézinho?

Era de manhã e a maioria dos passageiros daquele vôo ainda estava dormindo, enquanto a bela comissária de bordo cruzava os corredores da primeira classe com um carrinho de latão inox, distribuindo cafézinhos e sorrisos amigáveis. Estar nos ares nem sempre é uma situação confortável para todos e é necessário -sempre- ter uma pessoa preparada para inconvenientes.
Oi, bom dia. Aceito sim.
Açúcar ou adoçante, senhor?
Açúcar, por favor.
Faltávam algumas poucas horas para o vôo chegar ao seu destino e Pedro já estava contando os segundos para sentir aquele abraço novamente. Os anos distante o tornaram um homem muito mais maduro que há 6 anos atrás, quando, por falta de dinheiro e futuro sólido, resolveu se aventurar por terras distantes.
Devo lhe informar que faltam duas horas para chegarmos em nosso destino -disse a amável comissária- se precisar de algo, por favor, aperte este botão vermelho.
Obrigado, respondeu Pedro, quase perdido em seus pensamentos.
Os sessenta minutos seguintes seriam uma tortura há dez mil metros do solo...

(continua)

10 novembro, 2006

Éh né, o amor...

É tão bom gostar de uma pessoa à ponto de pensar constantemente neste alguém e reparar, invariavelmente, que estes momentos são os melhores do nosso dia... É tão bom olhar com carinho uma imagem, um retrato, um olhar que, embora distante, te enche de felicidade, ilumina seus dias, te faz ver a face oculta de Deus.

É triste às vezes não ser correspondido, mas o 'simples' fato de você querer o bem supremo para alguém, sentir vontade de carregar esta pessoa nos braços, protegê-la de todas as formas, é maravilhoso, o que de melhor pode existir no homem.

Sim, amar é bom demais.

(Ilusão? sonho? Não sei, não quero saber! prefiro sentir este sentimento puro e sagrado que há.)

08 novembro, 2006

ASCII


Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado. Quem diz que me entende nunca quis saber...

When I will be even so



Não chore,
não chame seus filhos,
não ligue a TV
nada estarão falando à meu respeito.
O meu trem está partindo, querida
não posso esperar mais
o último beijo será aquele no triste café
pela manhã
(pelo amanhã)
Ouça o som da locomotiva
veja!!!
a fumaça parece desenhar figuras engraçadas
no céu
no céu azul que hoje vejo pela última vez.
(pela última vez)
Querida
voce pode se lembrar das minhas palavras?
Cuide bem dos passarinhos
presos na gaiola
sem liberdade
esperando a sua vez.
Eles irão se enjoar
do mesmo alpiste
sempre
toda hora
mas eu não posso esperar
não posso mais
o trem está partindo;
seja feliz agora.

O trem está apitando
chamando todos os que querem partir
não sei ao certo qual é a estação
onde irei desembarcar
mas sei que aqui não devo mais ficar.
Não mais.

Seque as lágrimas, querida,
aprecie o belo céu azul
e guarde aquele retrato meu embaixo do travesseiro.
Seja feliz agora.

When I will be even so, I want that you he is very happy.






06 novembro, 2006

Sincere homage to the one distant friend



Quem
tão leve e graciosa quanto uma borboleta
encanta
desde a longínqua Germânia
até os dias de hoje?
Catarina de Médici e seu belíssimo
Ballet Comique de la Reine
em 1581
conquistando a todos com a magia da dança,
da sedução,
leveza,
perfeição.


Há algo mais belo que o corpo a voar no espaço
deslizando por entre a magia sagrada,
envolto no ar,
amparado pelas mãos de Deus
e pousando, então,
delicadamente
com o sorriso e a perfeição dos deuses?
O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky
Tchaikovsky e seus
O Quebra-Nozes e O Lago dos Cisnes;
óh Deus,
foste perfeito ao criar o Ballet.






Lembranças

Das drogas da vida

Fico apenas com a solidão

E a lembrança de alguém

Que se perdeu na multidão

Há tempos atrás

Eu não preciso de modelos, não preciso de heróis

Costumo caminhar sozinho

E no jardim do meu destino

Aprecio a beleza das flores

À distância

Não se deve tocar

Não se deve cheirar

Não devemos perdoar ninguém

Eu não anistio seus pecados

Eu apenas sigo meu triste caminho em paz

Todos dizem da alegria

Berram nos gargalos dos bares

Que a vida pode ser feliz

Que os problemas podem ser solvidos

Comum como um dia de sol

Triste como um dia de chuva

Eterno como a existência do amor

As putas vendem barato o que de graça lhes foi dado.

Limpe o toca-fitas

Relembre dos velhos vinis

Tão empoeirados quanto a sua dignidade

Embolorados

Maltratados

Como a voz da verdade

Como o desejo da maldade

E eu não posso sorrir agora

Seus sonhos te fazem feliz

Minha querida?

Quais são os seus desejos?

Eu sei que você chora escondida

Atrás de pilhas de papéis no seu emprego

Eu sei que o tempo está passando

O relógio ri de nós, cruéis,

Sucumbindo seus criadores

Matando um leão por dia

Violentando crianças ao entardecer

Destruindo a esperança com palavras duras

Insolúveis, não se misturam ao café.

E você me diz para sorrir

Você me diz que não sou assim

Você me abraça e a onda gigante

Que dizimou bilhões na história

Que só traz dor com singelas memórias

Vira calmaria, ouve-se como sinfonia...

E do seu sorriso no retrato

Eu consigo minha harmonia.

Você consegue ver o mal que há dentro de você?

Dentro de nós?

Você é capaz de compor melodias dramáticas

Abstratas

E mandar o mundo parar porque encontrou sua errata.

E com uma bala

Sem açúcar

Sem beleza

É encontrada, jamais amada

Por alguém que você criou nas tristes madrugadas.

Das minhas palavras de amor

Insano

Filtro a bondade, a coerência e a verdade

Louco é aquele que luta pelos seus ideais

E consegue, num pedaço de papel,

Fazer da vida paraíso.

Você pode me ver agora?

Você consegue sentir a pulsação vibrante?

Você me disse que o mundo não é tão mal

Que meu caminho é totalmente natural

Mas já não sei ao certo em quê pensar...

05 novembro, 2006

Rain


A chuva me abraça enquanto olho para dentro de mim,
converso com meu coração,
busco as respostas às inúmeras perguntas
que existem,
flerto comigo mesmo, pois,
quando amamos nós mesmos
então conseguimos amar o próximo.
Sinto o vento frio acariciar meu rosto
tal qual uma mãe que ama seu filho
e o carrega sempre nas mãos,
percebo o céu carregado, triste,
e tomo minha xícara de café em paz
comigo mesmo.
São só palavras, nada mais. O mundo caminha ao seu ritmo.

Eternamente


Deixando passos na areia
observo a lua beijar o mar no horizonte
prova de amor sincero
enquanto caminho, absorto em pensamentos.
Lembra de quando sentávamos à beira mar
ríamos como crianças quando, calmamente
as águas molhavam nossos pés,
de quando nossos corações batiam juntos
unidos
num só compasso,
nós iluminados pelas crepitantes chamas da fogueira?
Como era bom caminhar de mãos dadas contigo
sem destino
sem preocupação
dizer palavras tolas, baixinho, no seu ouvido,
e ver seu sorriso lindo colorir tudo ao nosso redor.
Você ainda está em meu coração
seu doce sorriso
o sabor dos seus beijos
a lua refletida em seus olhos castanhos
o vento brincando com seus cabelos
você ainda está presente.
A brisa que lambe meu rosto agora
levará aonde quer que você esteja
meu beijo carregado de todo o amor puro
que tenho em mim.

Jamais poderemos ver este pôr-do-sol juntos novamente,
minha querida
mas saiba que, o vendo, lembro sempre de você.

Você, meu anjo,
houve minhas preces e me aguarda em um lugar
mais belo, onde o mar é sempre limpo
e as gaivotas brincam conosco na areia.

Eu te amo. Eternamente.

04 novembro, 2006

Construir ou plantar?

Um têxto anônimo da Tradição diz que cada pessoa, em sua existência, pode ter duas atitudes: Construir ou plantar.
Os construtores podem demorar anos em suas tarefas, mas um dia terminarão aquilo que estavam fazendo. Então páram, e ficam limitados por suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba.
Mas existem os que plantam. Estes às vezes sofrem com tempestades, as estações e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, um jardim nunca pára de crescer e, ao mesmo tempo que exige atenção do jardineiro, também permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura.
Os jardineiros se reconhecerão entre sí -porquê sabem que na história de cada planta está o crescimento de toda a Terra.

03 novembro, 2006

Love is (por Renato Russo)

Composição: Kate/Anna/Jane Mc Garride

Intro: B4
E F# B4 E
Love is a shiny car
F# B4 E
Love is a steel guitar
F# B4 E
Love is a battle scar
F# B B4
Love is the morning star
E F# B4
Love is a twelve-bar blues
E F# B4
Love is your blue suede shoes
E F# B4
Love is a heart abused
E F# B B4
Love is a mind confused
E B E
Love is the pleasures untold
B F# B4
And for some love is still a band of gold
B4 F# G#m B4
My love has no reason has no rhyme
B4 F# B4 B B4 B
My love crossed the double line
E F# B4
Love is a minor chord
E F# B4
Love is a mental ward
E F# B4
Love is a drawn sword
E F# B4
Love is it's own reward
Solo: (B4 A B4 E F#m E F# B4 E F# B4)
E B E
Love is the pleasures untold
B F# B4
And for some love is still a band of gold
B4 F# G#m B4
My love, my love has no reason has no rhyme
B4 F# B4 B B4 B
My love, my love crossed the double line

Ainda tem gente que consegue soltar a frase mais filha da puta que já ouvi: Odeio Legião Urbana e o viado do Renato Russo...


Nossos dias jamais voltarão...

Você pega seus filhos na escola
finge que ama seu marido
sua esposa está feia -os anos passam...
e você continua a se privar de coisas boas.
Nossos dias jamais voltarão, querido amigo
e você lê escrituras sagradas sem saber porque.
A chuva que cai agora
jamais voltará a cair noutra estação
os gatos, pacientes, esperam o rato
os ratos, pacientes, devoram o queijo.
Mas a engrenagem invisível continua a girar
a mover o mundo
mover nossos sonhos
nossas conquistas
não, neste mundo nós não voltaremos a ver
o que já foi visto
Não neste mundo
Pois nossos dias jamais voltarão,
filho amado.
Deixe seu deus estar ao seu lado
o diabo mora nos detalhes
e a chuva que molha seus cabelos
jamais voltará para cumprir o que prometeu.
Pra quê guardar o amor?
o amor em outra vida é superior
Você queima índios nas grandes cidades
desdenha das damas noturnas em seu triste jogo de xadrez
violenta crianças ganhando salário
guarda o sábado para não fazer nada
acha corpos inocentes na lata de lixo
lê escrituras sagradas sem saber o porque
ama uma pessoa que não te conhece
não conhece àquela que nasceu para você.
E isso tudo porque?

Nossos dias jamais voltarão...

02 novembro, 2006

Mais palavras

Coma sua torta
escondido no banheiro
espie a empregada
vinte anos mais jovem que você
e não sinta desejo
há um livro sagrado -escrito por homens comuns- na cabeceira da cama.
Ouça uma canção
masturbe-se no chuveiro (é tão bom...)
ligue para sua esposa
e fale da reunião das onze
a reunião das onze é importante
!!!

Volte para a realidade, José
a montanha-russa mata crianças
e você insiste em seu lugar na fila?
Abra os olhos, Maria
deixe as pernas para de noite
venda seu produto em outro lugar
há executivos almoçando agora.

A vacina é obra do diabo!!
Coca-Cola é obra do diabo!!
Bill Gates devorou Plutão
Crianças ficam tontas em parques de diversão
ouvindo pop
sentindo o pop
entrar e sair
entrar e sair
entrar e sair

Pare!!
não se mecha, isto não é um assalto
mas
o senhor jogou o papel de bala no chão
porco filho da puta!

A Montanha Sagrada

Abrimos os livros, olhamos revistas, falamos de Deus.
Quem somos nós para julgar o próximo?
Quem é o próximo para matar a esperança?
Os livros não nos ensinam a viver.
Olhando sempre para o quintal do vizinho
nossas flores morrem
secas
podres
enquanto o vizinho toma seu café na varanda
transa com a esposa
sai com a amante
rí da nossa cara.

Aviões no céu
e tanta lágrima caindo ao chão.
A MontanhaSagrada não espera por nós
entre os carros no congestionamento
um cigarro
um sexo
um abraço
um adeus.
A Montanha Sagrada não espera por nós.

Um anjo

Estou pensando em você, enquanto me divirto com o vapôr do café que, sempre, aparece e some sem deixar vestígios. A sua doce voz é melodia em minha mente, ainda sinto o toque amigo das suas mãos suaves, sua pele macia me faze crer que a perfeição existe.
Brinco com uma borboleta, ela pousa carinhosamente em minha mão; a brisa meche as folhas sobre a mesa e eu saboreio meu café, envolto em lembranças.
Deixei escapar um anjo por entre meus dedos.

Onde estão todos?

Tome seu café,
ligue para as amigas,
chame os casados,
a prostituta da sua mãe jamais lhe ensinou.

Abra a Bíblia,
deixe-a aberta ao lado da sua cama
assim os mosquitos terão papel limpo para sentar;
a puta da sua mãe jamais lhe ensinou.

Sente-se na varanda, amarre seu chapéu
(o vento se apossa de tudo)
acenda seu cigarro, morra um pouco mais.
Vigie seus vizinhos,
a vadia da sua mãe já não está mais aqui,
ela não pode te ver sorrir,
ela não pode te fazer chorar,
aquela prostituta já se foi faz tempo,
você consegue se lembrar, meu bem?

Limpe o rabo com seda
o cachorro suja tudo, não é mesmo?
Perfumes, dinheiro, homens
eles são gosotosos, sua mãe sabia.
Sua vadia! Aprecie um nome na placa de metal,
o ventre sagrado gerou um monstro,
um monstro cruel
um monstro cruel
A vadia da sua mãe jamais poderia imaginar.

Sinta ele dentro de você,
a chaleira está fervendo e a reunião começa às 10.
Se ela estivesse aqui, faria o café, mas
quem poderia dizer?
Às vezes a porra vale mais que o coração.

Pilastra de concreto


Todos olham com pavor
quando se tem o mundo nas mãos,
é só puxar o gatilho, querida,
os anos não querem dizer nada.
Os anos nunca querem dizer nada;
os anos nunca disseram nada.
Coma uma banana e fique feliz,
ligue sua TV e assista àquela merda
que te usa, te abusa, fode com sua vida.
(fode com sua vida)
Os anos querem dizer nada não
os anos jamais dirão algo.

Por uma dentadura postiça
sentí o gosto podre da sua hipocrisia.
É sú puxar o gatilho, querida!
(vamos, puxe devagar)
Assista seus filmes baratos na TV alugada
que alguém alugou para você
e para mim
(para mim?)

Às vezes erguer as mãos pro céu não ajuda,
é melhor pô-las pra frente e começar a trabalhar...
Os anos não querem dizer nada
pois a charada é o mel criado pela cobra.
E eu ví no seu olhar
eu ví diante do espelho
eu ví a mim em você
então chorei
porque a velhice está na sua mente.

Escreva em negrito
escreva seus versos no itálico do mundo
o que está escrito não se apaga
o vento não pode confiscar
os anos não podem destruir
pois
os anos não querem dizer nada.


E, no final, todos choramos sobre uma pobre pilastra de concreto.

Highway Song - System of a down

I need, I feel, a love,
You love to love the fear,
I never want to be alone,
I've forgotten to.

The road keeps moving clouds,
The clouds become unreal,
I guess I'll always be at home,
Do you want me to try,
Directing your night.

An exit lights the sky,
The sky becoms complete,
Traveling hearts divine the throne,
I've forgotten to.

Friction, lines, bumps,
The highway song complete,
the signs are all tuning right,
Do you want me to try,
Directing your night,
Want me to try,
Directing your light.

The purest forms of life,
Our days are never coming back,
The cannons of our time,
Our days are never coming back,
The purest forms of life,
Our days are never coming back,
The cannons of our time,
Our days are never ever coming back.

Our days are never coming back,
Our days are never coming back,
Our days are never coming back.

31 outubro, 2006

29 outubro, 2006

Se eu morresse amanhã?

Se eu morresse amanhã, teria tido -nestes quase 20 anos de vida- tempo suficiente para fazer o que quis? Será que já cruzei sem saber com o amor que a mim estava destinado ou, pior, magoei àquela pessoa a quem não deveria ter ferido? Teria eu tido tempo suficiente para viver, ver as inovações tecnologicas, as guerras matarem todas as nossas crianças inocentes?
Se ao adormecer minhas pálpebras jamais se abrissem novamente, o que teria deixado de bom no meu caminho? Talvez três livros não publicados, uma pessoa feliz. Vivemos sempre planejando o futuro, fazendo -tolamente- planos à longo prazo como se soubessemos em qual curva da vida nossa condução nos deixará, como se houvesse a certeza do amanhã, da próxima xícara de café, do último cigarro, do último carinhoso beijo naquela pessoa que infelismente não nos ama.
Se eu morresse amanhã certamente alguns poucos -porém, importantíssimos- chorariam copiosamente pela minha partida, outros tantos olhariam com desdém e a grande maioria continuaria com seus passos largos, suas pastas sob os braços, filhos nas escolas e amores escondidos nos fins de noite. Se eu morresse amanhã não teria tido tempo de arrumar meu quarto, de ler e responder meus e-mails, preparar calmamente e saborear com prazer uma dose de whisky, de ter a certeza de ser um ex-fumante e sentir orgulho disso, -porque o cigarro nada trás de bom às nossas vidas.
Se eu morresse amanhã, não sei. Não cabe a mim saber.

Eu sou...


Eu sou aquele que você, embora sem conhecer, não consegue esquecer... Eu estou sempre com você.
Você passa noites em claro imaginando o sabor dos meus beijos, a luz do meu olhar, a sedução do meu sorriso e quando, enfim, adormece, sente o calor dos meus braços. Então sente o amor em seu corpo...


Eu sou o lago cristalino dos seus sonhos, a brisa suave que sopra a chama, move grãos de areia no deserto, que beija sua pele macia; a macieira que lhe alimenta e o anjo que o cerca.

Estou sempre em tí, contigo. Sempre.

27 outubro, 2006

Pastor João e a Igreja Invisível

Composição: Raul Seixas e Marcelo Nova

Eu não sei se o céu ou o inferno
Qual dos dois você vai ter que encarar
E foi pra não lhe deixar no horror
Que eu vim para lhe acalmar
Se o pecado anda sempre ao seu lado
Se o demonio vive a lhe tentar
Chegou a luz no fim do seu tunel, minha filha
O meu cajado vai lhe purificar

Pois eu transformo água em vinho,
Chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel
Pra mim não existe impossivel
Pastor João e a igreja invisivel 2x

Pois eu transformo agua em vinho,
Chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel
Pra mim não existe impossivel
Pastor João e a igreja invisivel 2x

Para os pobres e deseperados
E todas as almas sem lar
Vendo barato a minha nova agua benta
Três prestações, qualquer um pode pagar
O sucesso da minha existencia
Esta ligada ao exercicio da fé
Pois se ela remove montanhas
Também tras grana e um monte de mulher.

Pois eu transformo agua em vinho,
Chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel
Pra mim não existe impossivel
Pastor João e a igreja invisivel 2x

Verdades...

"O maior erro você o comete quando, por medo de se enganar, erra deixando de se arriscar em seu caminho.

Não erra o homem que tenta diferentes caminhos para atingir suas metas. Erra aquele que, por medo de se enganar, não caminha.

Não erra o homem que procura a verdade e não a encontra; engana-se aquele que, por medo de errar, deixa de procurá-la."
René Trossero

26 outubro, 2006

Cuidado com a merda no ventilador...

Tenha sempre muito cuidado ao postar suas idéias em blogs, foruns, orkuts e similares... Suas idéias podem render processo ou, até mesmo, reclusão caso alguém se sinta muito ofendido.


CUIDADO COM O QUE ESCREVE NA INTERNET!!!

25 outubro, 2006

Momentos de reflexão



A chuva cai, da janela vejo as poças se formando no solo enquanto saboreio minha xícara de café, morrendo de vontade de fumar (mas não vou!!!!), lançando minha mente no espaço . Vejo pessoas com seus guarda-chuvas se apressando para chegar aos seus destinos: quem sabe um filho com fome, um marido fiel que tira o pó dos móveis e arruma a mesa; talvez uma novela das duas ou ainda o encanador que consertará um defeito que dura semanas. Cada um de nós tem sua vida, as formigas não tecem teias.
Faxineiras varrem a calçada, executivos olham para seus relógios, crianças brincam de pega, namorados se beijam apaixonados, eu busco respostas e o mundo não pára. O mundo continua girando, ele não pode parar porque você tem contas a pagar, porque eu tenho algo dentro de mim, nós fazemos o mundo girar. As minhas dores só afetam a mim mesmo, não é possível resgatar, depois, o que se conquistou com um sorriso, com doces palavras e depois,inescrupulosamente, se perdeu no infinito.
A chuva cai e eu imagino você ao meu lado, em silêncio -porque o silêncio também é uma forma de linguagem- , e agradeço a Deus por tê-la, ao menos, em pensamento. A chuva não consegue levar tudo embora...

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Eu queria ser vazio, sem nada dentro. Queria poder acordar de manhã sem achar graça no canto dos pássaros na janela, perceber as crianças, apressadas, correndo para a escola e não sentir compaixão. Sentar no banco da praça, ver milhares de rostos passarem por mim sem dar importância a um sequer, sem desviar a atenção focada para um único olhar que cruzasse com o meu.

24 outubro, 2006

Clarisse - exatamente o que há.

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém me entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarice sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarice está trancada em seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...