23 julho, 2007

1965 (Duas Tribos)

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1965 (Duas Tribos)

Legião Urbana

Composição: Dado Vila-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Vou passar
Quero ver
Volta aqui
Vem você
Como foi
Nem sentiu
Se era falso
Ou fevereiro
Temos paz
Temos tempo
Chegou a hora
E agora é aqui.

Cortaram meus braços
Cortaram minhas mãos
Cortaram minhas pernas
Num dia de verão
Num dia de verão
Num dia de verão
Podia ser meu pai
Podia ser meu irmão
Não se esqueça
Temos sorte
E agora é aqui

Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa
Quando querem transformar
Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?
Estou do lado do bem
E você de que lado está?
Estou do lado do bem.
Com a luz e com os anjos.

Mataram um menino
Tinha arma de verdade
Tinha arma nenhuma
Tinha arma de brinquedo

Eu tenho autorama
Eu tenho Hanna-Barbera
Eu tenho pêra, uva e maçã
Eu tenho Guanabara
E modelos revell



O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país...

Em toda e qualquer situação
Eu quero tudo pra cima!!
Pra cima!!!





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"Urbana Legio Omnia Vincit"

18 julho, 2007

Uma estrada, vários caminhos (ou, 20 anos de idade)

Durante toda a minha vida fui obrigado a fazer escolhas, algo natural a todo ser humano. E em meio a tortuosa -mas gratificante- estrada que há muito sente o peso dos meus trôpegos passos houveram muitos caminhos distintos e assim será por toda a minha existência; durante este tempo coube a mim escolher quais vales desbravar, quantas pontes construir, tantos muros e muralhas levantar. Não me arrependo mais do que sou orgulhoso pelas chagas que carrego em mim, estas que são a prova de tudo o que passei, mestres dedicadas que me ensinaram mesmo quando nada eu queria aprender. Estas marcas fizeram de mim o que sou hoje, são a prova irrefutável de que as pessoas podem, sim, conseguir seu lugar ao sol.
Pelos inúmeros caminhos que tracei esbarrei com a mais variada sorte de pessoas; algumas as carego comigo para todo o sempre, outras habitam a casa do ontem -onde não podemos visitar nem em sonhos... Dos escombros do passado construí meus mais altos edifícios que, em momento algum, me levaram para mais perto de qualquer deus que dizem existir; nas químicas e navalhas me perdí... mas me encontrei.
Sou o que sou por caminhar em uma estrada, conhecendo vários caminhos.

11 julho, 2007

Câncer - 11/07/07

Descontração e tempo pra soltar a imaginação são os toques mais importantes dos astros pra você hoje. Com Mercúrio retomando movimento direto, os assuntos relacionados a sua saúde ficam em destaque por alguns dias. É que o nevoeiro está baixando. A clareza retorna. Amores esperam.
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Vou dormir...

09 julho, 2007

FDP³ - Gabriel Pensador

Os filha da puta vivem arrumando desculpa
E motivos pra te pegar te usar e depois te desprezar
Te tomam tudo, a vida, a grana e a alma
E ainda querem que você tenha calma
Por isso eu vou falar (pode falar)
Vou contar (pode contar)
Sobre os filha da puta que só querem te roubar
Fundam uma igreja ora veja onde já se viu
Enriquecer com a fé alheia (puta-que-pariu)
E é inútil tentarmos abrir os olhos do povo
Pois se um abre os olhos mil olhos fecham de novo
E eles dizem que você está com o demônio
Mas o demônio habita no seu patrimônio
E eles farão o "favor" de tomar toda sua grana
Porque a grana pra eles é uma coisa profana
Só que aí o demônio vai parar com quem?
No bolso do filha da puta que fica rico dizendo amém

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da...

E tem outra raça de filha de puta que é uma desgraça
Eles se acham os predadores e você a caça
Com um uniforme padrão, uma bota preta
Um cassetete na mão, na outra uma escopeta
Eles invadem uma casa onde uma família luta
Pra sobreviver (Pode crer, filha da puta!)
Eles te humilham, te matam, te caçam por prazer
E dizem ser o dever, mas é difícil entender
Por que pra eles qualquer um é um marginal
Logicamente com seus parentes não será igual
Porque eles julgam as pessoas pela cor
Procuram causar a dor
Procuram causar terror
Mas nós não vamos ficar aqui abobalhados fugindo da luta
Vamos mandar tomar no cú esses filhas da puta

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da...

Filha da puta, escuta o que eu vou te dizer
Você está no poder agora mas um dia vai se fuder
Você está numa boa rindo a toa cheio de graça
Mas todos nós ainda vamos ver a sua desgraça
Você se esconde em Brasília essa ilha cercada de filha da puta
De político fajuto me escuta seu puto
Aprovando leis só para vocês e sua cambada
Arranjando obras superfaturadas
Eles te exploram te chupam o sangue
Só pensam no lucro da sua gangue
Então escuta, pensa e responda a pergunta:
- Todo político é um filha da puta?

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da...

E tem outra espécie
De filha da puta que me emputece
É o pai desnaturado machão frustrado que se esquece
De que o tempo das cavernas já passou
E bate na família quando não devia nem bater com uma flor
Na mulher nas crianças mostrando toda a autoridade
De um homem primata no seu machismo covarde
Quando você vê na rua uma mulher com o olho roxo
Tenha certeza que ela é a mulher de um frouxo
Um Zé Ruela que com ela é agressivo, sem diálogo
Trata como égua porque é um cavalo
O autoritário da família, não tem autoridade além da força bruta
Bate no filho e na filha porque é um...

Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da puta
Filha da puta filha da puta filha da...

08 julho, 2007

Thunder Road - Bruce Springsteen

The screendoor slams, Mary's dress waves Like a vision she dances across the porch As the radio plays Roy Orbison singin' for the lonely Hey that's me and I want you only Don't turn me home again I just can't face myself alone again Don't run back inside, darlin' you know just what I'm here for So you're scared and you're thinkin' that maybe we ain't thatyoung anymore Show a little faith, there's magic in the night You ain't a beauty, but hey, you're all right Oh, and that's all right with me You can hide 'neath your covers and study your pain Make crosses from your lovers, throw roses in the rain Waste your summer prayin' in vain for a savior to ride from these streets Well now I'm no hero, that's understood All the redemption I can offer girl is beneath this dirty hood With a chance to make it good somehow Hey what else could we do now Except roll down the window and let the wind blow back yourhair Well the night's bustin' open, these two lanes will take usany where We got one last chance to make it real To trade in these wings on some wheels Climb in back heaven's waitin' down on the tracks Oh, oh come take my hand We're ridin' out tonight to case the promised land Oh, oh thunder road Oh, thunder road Oh, thunder road Lyin' out there like a killer in the sun Hey I know it's late, we can make it if we run Oh, oh thunder road Sit tight, take hold Thunder road Well I got this guitar and I've learned how to make it talk And my car's out back if you're ready to take that long walk From the front porch to my front seat The door's open but the ride ain't free And I know you're hungry for words that I ain't spoke But tonight we'll be free, all the promises l'l be broken There were ghosts in the eyes of all the boys you sent away They haunt this dusty beach road in the skeleton frames ofburned-out Chevrolets They scream your name at night in the streets Your graduation gown lies in rags at their feet And in the lonely cool before dawn You hear their engines roarin' on But when you get to the front porch, they're gone On the wind.
So Mary climb in. It's a town full of losers and I'm pullin' outta here to win!!

06 julho, 2007

Sopro de renovação

De banho tomado, depois de um estressante dia de trabalho que culminou no êxtase de dizer tudo o que havia 'entalado na goela', e praticamente tudo organizado para ir ao encontro do meu anjo, decido-me por uma olhadela na internet enquanto System of a Down tocava no PC; mais que ligeiro entrei no blog do meu amor, na esperança de ler algo novo, algo sobre nós, histórias de bravura, dragões, castelos, vales encantados e bosques de coníferas "verde-perfeição"(?). Mas não, não havia nada nosso, nada sobre nós, nada sobre nossos dias nem sequer uma comemoraçãozinha acerca dos 5 meses de namoro...

Pois bem; de "orelhinhas caídas" e sorriso faltoso prostrei-me diante do monitor para ler seus relatos. À medida que as frases terminavam, as letras se esvaíam e as palavras dançavam, dando tons coloridos a tudo ao redor, fui sendo invadido (ui!) por uma alegria sem tamanho, por uma satisfação desmedida e benéfica que pulsava no ritmo da minha pulsação. As palavras desta mulher que hoje amo como se a conhecesse à decadas "soaram como canção aos meus olhos" (o.O) e, a cada quebra-de-linha fui tendo mais certeza de que agora, de uma vez por todas, meu anjinho lindo conseguirá crescer o tanto que lhe é permitido. E não há limitações para seu crescimento.
O entendimento do "ligue o foda-se e seja feliz" é importante para os dias de hoje, para se viver em harmonia consigo mesmo, uma vez que a harmonia com terceiros é cada vez mais utopia que realidade. Afinal, os cães ladram e a caravana passa.

É preciso viver a nossa vida e deixar a hipocrisia, a mediocridade, os discursos arcaicos e obsoletos para trás; acompanhar o andar trôpego destes vermes só nos fará caminhar ao ostracismo. E uma vez mais é importante dizer: não é rolando na lama que nos limparemos.

É isso aí, amor!! É por ser dona desta força descomunal que lhe admiro mais e mais a cada instante que passo pensando em você.

03 julho, 2007

5 meses






Hoje é um dia muito especial. Hoje é um dia muito mais que especial, hoje é o dia em que completamos, eu e Sheila, 5 meses de namoro. Boas histórias para contar... não irei me ater em nenhuma delas.
O que me cabe dizer neste momento é que ela, tão linda, alegra meus dias, é presença confirmadíssima em minha mente quando tento definir 'pessoa fantástica'. Sheila, e toda sua bagagem intelectual, não faz feio nem pose e se derrete nas brincadeiras mais banais e divertidas que um casal pode fazer entre sí, e com demais. Este anjo que se faz presente em minha companhia é tudo o que um homem pode querer para a vida...linda, inteligentíssima, atenciosa, carinhosa, quente! Oh my god... very, very hot!!
Hoje é um dia muito especial, é um marco, uma conquista, uma prova que o amor, quando verdadeiro, resiste às tempestades da existência coletiva e firma-se, forte e duradouro, formando grande pilar de sustentação para os sonhos virarem realidade.
5 meses, e eu amo a Sheila Campos. Amo demais!!
E que venha o polaquinho... \o/



01 julho, 2007

Mais do mesmo...




ROCK BRASILEIRO RENATO RUSSO

Por: Maria Helena Passos Revista Marie Claire - Maio de 1995


Em nova fase de vida, Renato Russo, aos 34 anos, se recupera de um profundo mergulho no álcool e nas drogas e de uma arrebatadora paixão, enquanto confecciona o próximo disco da legião Urbana e planeja a melhor maneira de educar seu filho, Giuliano de cinco anos.
O roqueiro que em 1982 criou a mais potente banda de rock nativo, em pleno Planalto Central na ‚época da redemocratização do país, levou dois anos para aportar nas gravadoras e ingressar no show business. Desde então não parou mais. Seu maior sucesso veio em 1986, com "Eduardo e Mônica", do LP "DOIS", recordista de vendas entre os sete produzidos pela banda, com 800 mil cópias. Até hoje, o legião contabiliza 3,5 milhões de discos no mercado.
E quando ninguém‚m mais esperava surpresas, Renato Russo d nova volta no parafuso e se lança em carreira solo, interpretando canções de amor em inglês, em disco feito para a Ação da Cidadania contra a Mis‚ria e pela Vida. Inspirado em sua experiência homossexual, opção que tornou pública em 1988, batizou seu último trabalho de The Stonewall Celebration Concert, em homenagem aos gays nova-iorquinos (lembrando o nome do reduto gay do Greenwich Village, que ficou famoso em 1969 quando homossexuais enfrentaram por três dias a polícia que ameaçava invadir o local).
Em seu discreto apartamento em Ipanema, lugar nobre da Zona Sul carioca, cuja aquisição‚ motivo de orgulho para quem sempre quis subir na vida trabalhando, ele conta, com cativante sinceridade, sua rica e acidentada trajetória de vida roqueira para Marie Claire.



Marie Claire - Como foi que a música entrou na sua vida ?


Renato Russo - Me contam que aos dois anos de idade eu j punha o disco do Frank Sinatra de volta na capa certa. Quando chegou a adolescência, meu sonho era formar uma banda. Minha família ‚ muito musical. É coisa de gente que tinha piano na sala. Tanto do lado do meu pai, que ‚ paranaense, quanto do lado da minha mãe, que ‚ pernambucana.


MC - Quem são seus pais ?


Renato Russo - Meu pai ‚ neto de dois imigrantes italianos, primo de segundo grau de minha mãe e primo-irmão de minha avó. Ele ‚ economista, esta aposentado e tem 70 anos. Minha mãe era professora, mas, quando se casou, parou de trabalhar. Meu pai veio para o Rio para trabalhar no Banco do Brasil e inaugurou a geração classe m‚dia urbana da família, que antes, plantava mate no Paraná. E tome Banco do Brasil, muito Banco do Brasil...


MC - então o roqueiro de "Que País é Este ?"‚ um legítimo filho de funcionário público ?


Renato Russo - É , com certeza. Se bem que funcionário rio do Banco do Brasil não se considera funcionário público, você sabe ...


MC - É elite.
Renato Russo - É. Isso influenciou muito minha vida. Hoje, não sei ... Mas eu sempre tive muita estabilidade na vida por causa do banco. Mesmo na ‚época da revolução. Meus amigos contam outro tipo de história. Para a gente, era assim: o Brasil está indo para a frente e nós estamos indo junto, entende ? Eu nunca soube de nada das coisas que aconteciam, Achava o Médici o maior presidente do mundo.


MC - Você nasceu no Rio mesmo ?


Renato Russo - Eu era de classe m‚dia-m‚dia suburbana, da Ilha do Governador. Vivi l até‚ 1967. então mudamos para Nova York, onde vivi dos sete aos dez anos. Ficamos mais três anos no Rio e fomos para Brasília, quando eu tinha 13 anos. Nunca me faltou nada. Nada mesmo. Meus pais são maravilhosos, estão juntos até‚ hoje. Tive muito problema com isso porque me senti culpado, durante a adolescência. Por não corresponder …s expectativas deles, de uma vida bem comportada. Eles são supersimp ticos, inteligentes, Têm um casamento de sonhos, maravilhoso e tal. Para mim, tudo isso era um carma, entendeu ? Eu era e ainda sou um pouco terrível.


MC -Como foi virar gente em Brasília ?


Renato Russo - Bem, eu não sei se virei gente ainda ... Vivi em Brasília dos 13 aos 23 anos, e ali, depois de algum tempo, meu mundo da infância que era muito seguro, começou a mudar. Mas se entrar aqui o Júnior (uma auto referência), com oito anos de idade, ‚ a mesma pessoa. Talvez eu estranhe se entrar o Júnior com 16, 18 anos de idade. Mas os valores são os mesmos.


MC - Por que você se estranharia com 16, 17 anos ?


Renato Russo - Porque eu era muito confuso. Foi uma fase que durou muito tempo até‚ o comecinho da legião Urbana. Eu me perdi. Eu tinha uma vida de sonho. Aos 17 anos acabou, sabe ? Fui para o mundo. Surgiram aquelas confusões sexuais da adolescência e dúvidas.


MC - Qual foi o seu primeiro trabalho ?


Renato Russo - Foi na Cultura Inglesa, em Brasília, como monitor. Depois, virei professor. Tinha 15 anos, idade e, que vi meu primeiro show de rock, da Rita Lee, no gin sio do Col‚gio Marista. Fiquei emocionado. Mas não pude ir ao segundo.


MC - Por quê ?


Renato Russo - Porque um resultado m‚dico mudou minha vida. Estava com epifisióise, doença que destrói a extremidade dos ossos. Minha perna estava pendurada só pela pele, entre o fêmur e a bacia. Meu mundo acabou. Fui operado e fui vítima de erros m‚dicos. O cara colocou o pino dentro do nervo. Contra‡äes involunt rias me faziam gritar de dor. Fiz outras operações. Perdi dois anos de vida com medo de sentir dor, isolado, fora de tudo.


MC - Como você voltou ao mundo depois de dois anos entre a cama e a cadeira de rodas ?
Renato Russo - Quando voltei para o col‚gio, aos 17 anos, era um menino diferente. Distante.


MC - Distante por quê ?


Renato Russo - Porque fiquei de fora. Observava tudo com olhar de estrangeiro.

MC - Quem são o Eduardo e Mônica da música?


Renato Russo - Acabei me aproximando, graças a música, de um tal Fernando, que tinha chegado de Paris com uma grande colégio de discos - Traffic, Eric Clapton, tudo. Morava sozinho e namorava uma menina com filhos, a L‚o. Isso era 77,78. É ela a Mônica da música e eu sou o Eduardo, só que menos bobo.


MC - Menos bobo ?


Renato Russo - É, eu lia, não era aquela coisa clube-e-televisão da letra. Teve uma ‚época que eu trabalhava num jornal, na Cultura Inglesa e fazia faculdade. Sei que quando o Sid Vicious, do Sex Pistols, morreu, tomei o primeiro porre da minha vida. E a partir da¡ comecei a usar muitas drogas.


MC - Só a partir daí ?


Renato Russo - É, quer dizer...eu j usava, mas era de fim de semana. At‚ essa ‚época era s¢ bagulhinho e álcool. A cannabis (maconha), você sabe, afeta a memória, mas acho que já tínhamos formado o Aborto El‚trico.


MC - Ah! Sua primeira banda punk.


Renato Russo- É. Ensaio todo o fim de semana. Nessa fase explodiu tudo o que eu não vivi nos dois anos em que eu fiquei de cama. Apareceu uma nova geração no rock que dizia: "Você não precisa estudar música para fazer rock'n'roll. Você pode pegar uma guitarra e fazer". Eram os punks. Nossos padrinhos foram os Paralamas do Sucesso.


MC - E o que mais o fascinava nisso tudo ?


Renato Russo - Ter encontrado um jeito de ter poder. É divertido.


MC - Como foi enfrentar o mundo machista do rock para você que é homossexual ?


Renato Russo - O mundo do rock não ‚ bem assim. Ele ‚ misógino. O que vale nesse mundo não ‚ saber se você ‚ gay ou não. É saber quem ‚ mais louco, quem vende mais disco, quem ganha mais dinheiro. Era aquela coisa de querer se mostrar, do exibicionismo, da vaidade mesmo. De se transformar em ¡dolo.


MC - Para o legião, política e injustiça social sempre vêm antes do conflito de gerações...


Renato Russo - O legião chamou muita atenção porque surgiu no período da abertura, da redemocratização. Mas, basicamente, o que escrevemos são canções de amor. Uma coisa talvez até‚ adolescente demais. At‚ pelo meu histórico familiar, eu preservo a família. Falo mal ‚ das instituições. Eu j fiz esta de ouvir abaixo e tomei v rias atitudes rebeldes, mas dou muito valor a família. Porque ela que me segura.


MC - A geração mais nova ‚ diferente da sua ?
Renato Russo - É. São menos agressivos. É uma geração mais passiva. J estão acostumados … violência. Têm Netuno em Sagit rio e não escorpião, como minha geração, que lida com o instinto de morte, e ‚ mais louca, exibicionista, cheia de altos e baixos. Essa geração atual ‚ mais do "vamos com calma para ver o que vai acontecer".


MC - Você ‚ de esquerda ?


Renato Russo - Sou anarquista e individualista. Tenho uma visão po‚tica, mas não me considero poeta. Procuro o belo.


MC - A geração atual ‚ mais alienada que a sua ?


Renato Russo - NÃo. O que existe hoje ‚ consumismo desenfreado. É a TV dizendo qual o seu sonho de consumo. Isso existe h d‚cadas, mas não como hoje. Tanto que agora existe uma discussão ‚tica sobre valores ‚ticos no país e não se chega a conclusão nenhuma. As pessoas perderam o sotaque e Maceió ‚ igual a Porto Alegre. Uma pasteurização que o fascismo usa muito bem.


MC - Seu disco foi feito para a campanha contra a fome do Betinho. Quanto você doou do seus direitos ?


Renato Russo - Cinqüenta por cento.


MC - Com esse disco, você assume a bandeira do homossexualismo e deflagra uma carreira solo. Vai seguir por a¡ ?


Renato Russo - O legião Urbana continua. são coisas distintas e por isso as músicas do disco solo são "covers" (regravações de sucessos) em inglês.


MC - Primeiro emprego aos 15, primeira banda aos 17. E o primeiro namoro ?


Renato Russo - Nunca tive, na verdade. A não ser a Lu¡za, quando eu tinha 11 para 12 anos, na Ilha do Governador. Mas não era uma coisa de namoro exatamente, era de troca. Porque eu era gay. Eu sou gay, entendeu ?


MC - Você já se reconhecia como gay ?


Renato Russo - Eu sabia que era desde os quatro anos de idade. Quer dizer, eu não sabia que era gay-gay! Eu tinha uma afeição muito grande pelas meninas, mas não pensava nelas em termos sexuais, de posse. Não precisava de proximidade física, beijo ou sacanagem. A gente pegava o disco do irmão mais velho da Lu¡za e ficava ouvindo Cat Stevens e James Taylor, sabe ?


MC - Você nunca sentiu atração sexual por mulher ?


Renato Russo- Não. Absolutamente. Aos quatro anos, eu não brincava de m‚dico com meninas. Para mim, isso não tinha graça nenhuma. Eu sabia que sexo era proibido. Sou de família católica, italiana. Sabia que tinha as brincadeiras com as meninas, mas eu queria ver como eram os "peruzinhos" dos meninos.


MC - A repressão influenciou sua opção sexual ?


Renato Russo - Não. O ato sexual não tem nada a ver com a sua opção. Tanto ‚ que eu tive um filho e namorei mulheres. Eu não quero citar nomes, mas tive um caso tórrido com uma atriz de cinema e TV. Tem homem que tem uma dificuldade brutal. Comigo não, eu me excito.


MC - Seus maiores amores foram homens, ou mulheres ?


Renato Russo - Ambos. Uma coisa eu posso dizer: todas as mulheres que já se apaixonaram por mim são hoje minhas melhores amigas. Eu me apaixonava, mas não carnalmente. Gostava, achava divertido e tudo, mas pensava: "Não‚ isso que eu quero, esta faltando alguma coisa". Por muito tempo busquei relacionamentos com mulheres para provar que eu era homem.


MC - Até quando durou isso ?


Renato Russo - At‚ hoje. Porque eu amo as mulheres. Espero que ela não fique chateada, uma mulher casada...mas a Carla Camurati, eu encontrei na casa de um amigo. Ela ‚ linda. Meu tipo. Fiquei babando. Pensei: "Gente do c‚u, ‚ a mulher da minha vida". Mas eu sei que não ‚ por a¡. Porque a gente pode estar junto e compartilhar tudo, mas de repente, passa um bofe bonito...Sabe, eu tenho tara por bunda cabeluda, por p‚, por falo, pelo torso masculino, ela coisa da barba. O que me atrai na mulher ‚ a essência da mulher. Não o corpo. No homem, a essência se traduz no corpo. Tamb‚m acho que nunca vou satisfazer a mulher completamente. Sou o bofe por excelência. Sou macho, minha filha... Me sinto muito mais a vontade em uma relação com outro homem. Homem não pode fingir. Ou esta de pau duro ou não esta . Eu entendo o que o outro cara pensa, conheço o cheiro, conheço o toque. Com a mulher, eu me sinto desonesto. E elas se entregam tanto que eu me sinto tão pequeno...E não ‚ a l"raburra que se apaixona por mim. Era a (escritora) Marina Colassanti, mulheres casadas...


MC - At‚ hoje isso acontece ?


Renato Russo- Hoje eu j sei que sexo não ‚ tudo e que a amizade ‚ tão importante quanto. Como dizia a Denise (Bandeira), "a gente vira amante cósmico". Sabe, eu não sou monogâmico ...


MC - Qual foi o seu primeiro caso homossexual ?


Renato Russo - Aos nove anos. Foi um escândalo na família. Foi com o meu primo. O engraçado ‚ que eu sempre gostei de homem bonito, e ele era lindo. Eu era o inteligente, com idéias maravilhosas, e ele era o atleta, o Adonis, o Davi de Michelangelo, que até‚ hoje tem problemas de dependência química mas ainda assim não conseguiu ficar feio. Até os 13 anos, tivemos uma amizade absurda, depois ele seguiu o caminho dele e eu continuei perdidamente apaixonado.


MC - Como o Stonewall Celebration foi concebido ?


Renato Russo- Nele tem músicas que lembram o que passei. Como "The Ballad Of The Sad Young Man", que toca no problema da dependência química, de se pertencer a uma minoria. Mas o que existe no disco não ‚ o problema gay.  todo o espírito humano. Eu estou cantando para um outro cara, mas são canções de amor.


MC - Você se inspirou no seu último grande amor ?


Renato Russo - É. O Robert Scott Hickmon. Foi ele que pintou essas paredes (do apartamento onde mora). Vivemos juntos aqui. Ele era gay de carteirinha. Morava na Market Street, em San Francisco. L , o padeiro, o açogueiro, o dentista, todos são gays. Eu o conheci em 1989, lixeiro, com uma mochila nas costas, numa atitude de coitadinho. Ele veio comigo para o Brasil em 1990, voltou para l e retornou para vivemos juntos. Mas a¡, você sabe, todo gay ‚ macho. Ele achou que podia passar por heterossexual.


MC - No Rio, ele resolver passar por hetero de repente ?


Renato Russo- Bem, ele era white trash: branco, pobre, filho de mãe alcoólatra, pai que espancava, tudo de pior...E, de repente, achamos que um podia ajudar o outro. Nos apaixonamos. O plano era ele me dar forças para que eu parasse de beber. Eu e daria força para ele para de tomar speed (anfetamina).


MC - E vocês pararam ?


Renato Russo - Eu s¢ parei na segunda vez que ele veio porque peguei hepatite. Quase morri. Ele era o atleta, o belo, o pr tico, consertava coisas. Aquela mesma coisa do Z‚ Eduardo (o primo). E eu era o cara dos livros. O Scott era um disl‚xico problem tico, lindo, louro..."Que maravilha", eu pensei "que coisa romântica". Mas ambos tínhamos coisas muito mal resolvidas. Fizemos terapia de casal. Não funcionou porque ele tinha uma culpa enorme quando chegou ao Brasil.


MC - Culpa por ser gay ?


Renato Russo - Ele se achava um cidadão de segunda classe por ser semi-analfabeto, ter um histórico de criança de reformatório, de orfanato que, bonita sempre encontrava homens maravilhosos para tomar conta. No gueto, o problema dele não aparecia. Aqui, foi bem aceito pelos meus amigos, que me respeitam. Nas, de repente, aflorou o lado macho e ele passou a sofrer por não ter emprego, não conseguir trabalho. Foi em 1990, o Collor tinha roubado o dinheiro de todo o mundo. E ele tinha que me pedir dinheiro. A¡ tentou provar a masculinidade transando mulher. Como a gente estava nessa de liberar o corpo, achei que tudo bem. A gente não estava casado e queríamos fugir desse modelo hetero de ficar preso. Eu tenho um filho, imagine! Cada um com sua vida, mas degringolou.


MC - Transar mulher ‚ libe para o quê ?


Renato Russo- Ele me disse que, mesmo se atração, transar com mulher lhe dava sensação de força. Era mais f cil para ele ser hetero e batalhar a vida do que tentar ser gay e digno. Voltou para os Estados Unidos e nunca mais o vi.


MC - Você chegou a fazer o teste de Aids ?


Renato Russo - Não falo sobre isso. D medo, ‚ uma coisa terrível. Faço parte de uma geração que foi pega no meio do caminho. Tive que erotizar o uso da camisinha. senão, na hora de procurar por ela, você j broxou. Para não us -la, o pessoal começou a fazer mais sexo sem penetração, achando que não pega Aids. Virou tudo filme de gay, sabe ? Aquela coisa de gozar fora. Mas eu não preciso dessa coisa de teste e quando eu fiz foi...


MC - Um alívio ?


Renato Russo - Foi horrível esperar o resultado. Faço check-up todo ano e descobri que estava com hepatite B. Os m‚dicos me pediram para fazer teste de Aids. Fiz três exames até‚ ter certeza do resultado, que deu positivo no primeiro exame e foi um horror... Você tem que falar com seus amigos e todos tiveram que fazer teste de Aids. A¡ fiz outro (Western Blot, exame mais caro e mais preciso). Repeti mais uma vez durante o tratamento da hepatite. E esses dois deram resultado negativo. O m‚dico me disse que até‚ segunda ordem eu sou soronegativo. Mas ajo como se fosse soropositivo. Sexo seguro total. J passei por tanta coisa... E sempre maltratei muito meu organismo. Você sabe, não ‚ legal falar isso, mas quem ‚ realmente saud vel tem menos possibilidade de contrair Aids. Não faço as mais loucuras que fazia antigamente. E tem certas coisas que caem na rea da dúvida, como sexo oral, por exemplo...


MC - Depois que o Scott se foi, você começou a usar heroína ?


Renato Russo - Ele ainda estava aqui. De tudo que usei, o pior foi o álcool e tranqüilizantes. Heroína foi horroroso, mas s¢ um mês e meio. No final de julho de 1990 ele viajou e eu continuei. Uma coisa meio junkie mesmo...Depois decidimos que ele voltaria e a gente iria se cuidar. Bem, não posso dizer que foi ruim. Na verdade, foi péssimo.


MC - Como assim ?


Renato Russo - É, porque, a gente usava heroína para ficar namorando. Ele conheceu um "rajneesh" (seguidor de Osho, como ‚ atualmente conhecido o guru indiano) na praia, que tinha a droga. No Rio, heroína não existe. Eu nunca tinha experimentado. Foi aquela coisa... Um glamour muito grande. O Scott j tinha experimentado tudo. Pegamos leve, não us vamos agulha nem nada. Era s¢ fazer uma cabeçinha de palito de fósforo assim... E o mundo fica maravilhoso por oito horas. Em termos de dependência física, ‚ a pior droga. Tudo que‚ droga ‚ ruim.


MC - Embora, na hora, você ache bom ?


Renato Russo - não ‚ achar bom. Sempre tinha um motivo: solidão, veia autodestrutiva, varar a noite trabalhando...


MC - Como você parou com a heroína ?


Renato Russo - É horrível parar. Dá uma agonia... Se você esta sentado, quer ficar de pé; se esta em pé, quer ficar sentado. Dá vontade de sair da pele, um enorme vazio. Na primeira vez, fui até‚ onde dava e me enchi de Valium (tranqüilizante) e rem‚dio para dormir. Acordei maravilhoso e, de novo, me droguei. Mas, da segunda vez, foi brabo. Chamei umas amigas para o Marina Hotel, onde morei muito tempo. não adiantava rezar, tomar banho de sal grosso, nada. Era deitar e esperar.


MC - Você chegou a pensar em suicídio ?


Renato Russo - não, mas já pensei nisso. não de levar …às últimas conseqüências, mas...


MC - Dizem que você declarou em um show que chegou a tentar cortar os pulsos por causa de uma menina.


Renato Russo - não, isso não tem nada a ver.


MC - então você falou de bobeira ? Foi uma invenção ?


Renato Russo - Show ‚ show, n‚ ? Isso deve ter sido uma introdução a "Ainda é Cedo" (do primeiro LP, legião Urbana). É recurso dram tico. Mas não aconteceu, não. Eu tive um pequeno acidente, mas não foi por querer me matar nem nada. Eu s¢ queria ver como ‚ que era. Uma coisa de louco. S¢ que me deu o maior susto.


MC - Foi em Brasília ?


Renato Russo - Foi. Eu tinha 20 e poucos anos. Coisa de bêbado. Eu estava l entediado, cismado que queria ser artista pl stico. Comprei uns guaches e ficava meus desenhos e aquarelas. Comecei, de repente, a diluir tinta em urina. Me cortava e desenhava com sangue, todo fora de controle, coisa de irresponsável...


MC - E como você se safou disso ?


Renato Russo- Fiz uma operação da qual ainda tenho marcas.


MC - E não era uma coisa de querer liquidar com a vida ?


Renato Russo - não, imagina... Claro que não.


MC - Desde quando você parou com as drogas ?


Renato Russo - Desde 3 de abril de 1993, logo após meu aniversário. A reprogramação de vida que faço desde então ‚ definitiva. Para valer. Você percebe que a dependência química ‚ uma doença crônica, prim ria, progressiva e fatal. Eu não sou sem-vergonha, louco, nem depressivo, nem melancólico. Sou dependente químico. Interessante ‚ que por tr s de todo dependente esta sempre um perfil psicológico sensível e inteligente. são todos compulsivos.


MC - É o seu caso ?


Renato Russo - Compulsivo total. Fiquei internado um mês em Vila Serena (clínica em são Paulo), um lugar para recuperação de dependentes químicos. Parei de beber, de usar tudo. Aprendi a parar de andar com quem usa e a não ter droga em casa. A evitar o local da ativa. não passo em bar nem prá comprar cigarro.


MC - Sua vida mudou muito, então ? E os amigos ?


Renato Russo - Em termos. Sou o mesmo, mas não estou com duas doses de Cointreau nem tomei Lexotan h 15 minutos. Quanto aos amigos, não eram verdadeiros. Cheguei a um ponto que, se eu não parasse, morria.


MC - Como foi parar abruptamente com tudo ?


Renato Russo - Fiquei com o corpo todo empelotado, mas isso foi tudo. Imediatamente passei a me alimentar muito bem, tomar rem‚dios homeop ticos e muita vitamina. Acordava …s 6 horas, com um sino, para fazer exercícios. Fazia terapia de grupo. Durante um mês e meio, tive que lembrar e escrever dez coisas que fiz por causa do álcool e me deram vergonha ou me afastaram de quem eu amava.


MC - Como certas atitudes públicas suas...


Renato Russo - A última coisa que eu deixei abalar foi o meu trabalho. Foram s¢ duas ou três brigas públicas, coisa de bêbado chato. Em casa, era muito pior. Eu ficava dias e dias com cinco, seis meninos aqui dentro. Coisa típica de decadência gay absoluta... não acreditava em nada, tinha uma autopiedade extrema. Em Vila Serena, eles tentam resgatar sua espiritualidade.


MC - Você acredita em Deus ?


Renato Russo - Sou católico apostólico romano. Acredito em um poder superior. Ontem mesmo, fiquei deprimido por causa de nossa conversa. De falar no Scott, da minha culpa em relação aos meus pais. Confuso por ter visto meu filho. Culpado por meus pais serem tão maravilhosos. Tive que trabalhar a noite inteira para esquecer isso. O que me salva ? É saber que existem coisas al‚m da minha compreensão e que eu não sou o dono do mundo.


MC - Quantos anos tem seu filho ?


Renato Russo - Esta com cinco, mas tem tamanho de oito. Fico preocupado porque estou me recuperando e não posso educ -lo. Mora com os avós em Brasília. Ontem eu estive perto de definir o que sinto. Sinto que não estou … altura de retribuir as coisas boas que recebo.


MC - E de onde você tira essa idéia ?


Renato Russo - Das minhas sensações. Esta ligado ao meu histórico, … minha sexualidade. É como se eu fosse um modelo de luxo como qual você tem que tomar muito cuidado.


MC - Quem‚ a mãe do seu filho ?


Renato Russo - Ah, sobre isso eu não falo.


MC - Por quê ?


Renato Russo - Porque ‚ supercomplicado. Só posso dizer que‚ uma menina que eu devo ter visto duas ou três vezes na vida. Aconteceu em são Paulo.


MC - Onde ela vive hoje ?


Renato Russo - Ela morreu em um acidente de automóvel quando eu estava em Nova York. Eu não falo sobre esse assunto.


MC - Dói muito ?


Renato Russo - não ‚ que seja dolorido, ‚ porque eu não sinto absolutamente nada. É como se eu estivesse bloqueado, horrível.


MC - Você assumiu a paternidade, o que já é um dado importante...


Renato Russo - Na verdade, eu não teria muito outra opção. Pelo modo como as coisas se passaram. Eu não ia estragar a vida de uma menina tão jovem, entendeu ?


MC - E como ‚ sua relação com o Giuliano ?


Renato Russo - É complicada, uma coisa que eu não resolvo e empurro com a barriga. Ele s¢ viveu comigo na Ilha do Governador, pequenininho. Depois, foi viver meus pais. O Guiliano nasceu em 1989, a¡ fui para Nova York, inventei que ia ter um grande caso de amor gay da minha vida. Uma coisa louca. Fiquei muito mal. Como vou falar para o Giuliano que sou roqueiro e gay, entende ?


MC - Em relação ao Giuliano você também tem bloqueio emocional ?


Renato Russo - não. O que acontece ‚ medo porque eu o adoro demais. Talvez isso se dilua se morarmos juntos. Toda a vez que eu o vejo, d uma vontade de agarrá-lo e dizer: "Giuliano, vai dar tudo certo. Pronto. Fica aqui comigo". Mas, então, o que eu vou falar ? O que eu vou fazer ? Ele ‚ uma pessoa e não um bibel". Tenho que ter essa relação normal com ele. Essa euforia, essa felicidade exagerada, essa emoção que ou você não sabe o que fazer porque esta tão deprimido ou porque esta tão contente, eu pensei que não ia mais sentir desde que eu abandonei o alcoolismo. Porque eu bebia para sentir mais, entendeu ?


MC - Como‚ a relação entre vocês ?


Renato Russo - Ele ‚ muito diferente de mim. Acho-o um pouquinho folgado. Ele ‚ bem "bofinho", do tipo que tira a camisa, enrola na cintura e diz: "Vamos jogar bola ?" Eu não era assim. J tem namorada, imagina...Ontem, quando eu o vi, ele disse: "Pai, j acendeu de novo o cigarro ?" Desta vez, fiquei quatro meses sem vê-lo. Joguei o cigarro em um canteirinho e ele disse: "Pai, não pode jogar o cigarro na plantinha". não gostei. Como vou lidar com isso ? É uma relação pai-e-filho, mas não ‚. É como se eu fosse o irmão mais velho, porque ele chama a minha mãe de mãe. Eu pergunto: "Cadê sua avó ?" E ele grita: "Manhê". É muito complicado. Mas ‚ uma dúdiva e nada acontece por acaso. A vida não ‚ fácil, mas ainda vamos resolver tudo.


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26 junho, 2007

Primata de duas décadas



Eis que falta menos de meio mês para que eu, este primata que lhes escreve com regularidade de católico de bar, complete duas décadas de existência por estes lados. Hora de repensar muitas coisas, relembrar os inúmeros caminhos que trilhei, recordar dos rostos que se fizeram presente diante de meus olhos, buscar alcansar nas catacumbas da memória sorrisos perdidos num vale sombrio chamado 'passado'. Muita coisa se fez, tanto ficou por fazer.
É engraçado pois, pego-me a sentir um sentimento de culpa pelas constantes burradas que cometí outrora, um certo remorço por distante ter ido e nada ter encontrado. Vendi meu corpo, assassinei a mim mesmo um sem fim de vezes tentando matar o que havia de errado dentro do meu ser; fugi, fugi e fugi sem, no entanto, conseguir enfim sair do lugar... Vendi terceiros, apanhei, bati, passei fome, chorei, sorri. Numa terra onde eu nem era esperado, pelo conjunto da Ópera não estou tão ruim assim.
Sinto-me desesperado, triste, solitário, acanhado; tantos caminhos se abrem aos meus olhos e não sei qual deles trilhar; não sei se devo ir ou vir, não sei nem se devo ficar e continuar.

I got pictures in my mind



















Wake up,
Grab a brush and put a little (makeup),
Hide the scars to fade away the (shakeup)
Why'd you leave the keys upon the table?
Here you go create another fable

You wanted to,
Grab a brush and put a little makeup,
You wanted to,
Hide the scars to fade away the shakeup,
You wanted to,
Why'd you leave the keys upon the table,
You wanted to,

I don't think you trust,
In, my, self righteous suicide,
I, cry, when angels deserve to die, Die,

Wake up,
Grab a brush and put a little (makeup),
Hide the scars to fade away,
Hide the scars to fade away the,
Why'd you leave the keys upon the table?
Here you go create another fable

You wanted to,
Grab a brush and put a little makeup,
You wanted to,
Hide the scars to fade away the shakeup,
You wanted to,
Why'd you leave the keys upon the table,
You wanted to,

I don't think you trust,
In, my, self righteous suicide,
I, cry, when angels deserve to die
In my, self righteous suicide,
I, cry, when angels deserve to die

Father(mother),
Father(brother),
Father(fuck you),
Father(ahhhh),
Father, into your hands
I commend my spirit,
Father, into your hands,

Why have you forsaken me,
In your eyes forsaken me,
In your thoughts forsaken me,
In your heart forsaken me oh!!

Trust in my self righteous suicide,
I, cry, when angels deserve to die,
In my self righteous suicide,
I, cry, when angels deserve to die.

(Chop Suey - SOAD)

25 junho, 2007

If Tomorrow Never Comes


If Tomorrow Never Comes

Renato Russo - The Stonewall Celebration Concert

Composição: K.Blazy / G.Brooks


Sometimes late at night
I lie awake and watch him sleeping
He's lost in peaceful dreams
So I turn out the lights and lay there in the dark
And the thought crosses my mind
If I never wake up in the morning
Would he ever doubt the way I feel
About him in my heart
If tomorrow never comes
Will he know how much I loved him
Did I try in every way to show him every day
That he's my only one
And if my time on earth were through
And he must face the world without me
Is the love I gave him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes
'Cause I've lost loved ones in my life
Who never knew how much I loved them
Now I live with the regret
That my true feelings for them
never were revealed
So I made a promise to myself
To say each day how much he means to me
And avoid the circumstance
Where there's no second chance to tell him
how I feel
So tell that someone that you love
Just what you're thinking of

Se O Amanhã Nunca Vir

Algumas vezes tarde da noite
Eu finjo estar acordado e estou dormindo
Ela está perdida entre calmos sonhos
Então eu apago as luzes e me arranjo no escuro

E pensamentos cruzam minha mente
E se eu nunca acordar de manhã?
Ela duvidaria do que eu sinto
Por ela em meu coração?

Se o amanhã nunca vir
Ela saberá o quanto a amei,
Tentei de todas as formas mostrá-la todo dia
Que ela é meinha unica?
Se meu tempo na Terra estiver acabado
E ela precisar encarar o mundo sem mim
E o amor que a dei no passado
Será por fim o suficiente
Se o amanhã nunca vir?

Eu já perdi uns amores em minha vida
Que nunca souberam o quanto eu os amei
Agora eu vivo com o remorso de que
Meus verdadeiros sentimentos por elas nunca foram revelados.

Então eu fiz uma promessa a mim mesmo;
Dizer a cada dia o quanto ela significa pra mim,
E evitar a circunstância
Onde não há uma segunda chance
Para contá-la como eu sinto.

Se o amanhã nunca vir
Ela saberá o quanto a amei
Tentei de todas as formas mostrá-la todo dia
Que ela é minha unica?
Se meu tempo na Terra estiver acabado
E ela precisar encarar o mundo sem mim
É o amor que o dei no passado
Será por fim o suficiente
Se o amanhã nunca vir?

Então diga a quem você ama
Apenas o que você está pensando
Sobre se o amanhã nunca vir.



21 junho, 2007

Escalas de cinza


Ontem a ví novamente. Estava linda, continuava linda, continua linda. Conversamos em escalas de cinza; eu disse-lhe tudo o que precisava ser dito, demonstrei o tamanho do mau-estar por tudo que havia acontecido e, uma vez mais, disse que a amava. E pude, enfim, ouvir tal frase novamente...
Tudo que eu puder fazer para demonstrar meu amor, farei!

18 junho, 2007

Algumas palavras





Se eu pudesse apagar os erros que cometí e, no lugar destes, inserir um beijo, abraço e a frase 'eu te amo', as coisas seriam melhores. Sei que, infelizmente, de nada adiantarão as palavras que traçarei aqui mas, mesmo assim sendo, escreverei.
Eu gostaria muito de poder olhar nos olhos da mulher que ainda mora dentro de mim e dizer novamente o quanto sinto por tê-la magoado, o quão fui estúpido nos últimos tempos mesmo com coisas que eu julgava inofencivas; gostaria muito de poder reparar todas as minhas falhas e recomeçar mostrando todo meu carinho, todo meu amor que, por falta de experiência, maturidade, 'semancol', por infantilidade deixei de demonstrar. Apagar a última frase que disse a ela no último momento em que estivemos juntos, frase esta dita no cúmulo do impulso sobre a razão, sobre meus sentimentos que me diziam para abraçá-la, beijá-la, mostrar um pouco do tanto que tinha -e tenho- guardado para ela em meu peito. Esta frase ecoa dentro das minhas lembranças e me parece um cachorro vivo, me devorando por dentro.

Começamos em uma madrugada gelada e solitária, cada um em sua 'torre'; eu ainda atormentado com fantasmas do passado que decidí deixar de lado e viver o presente, parar de sofrer por coisas que já não me diziam respeito e dedicar-me novamente a alguém. Ela, tão doce, tão gentil, preocupada com o 'rapaz triste do blog'; eu, isolado de todos pela timidez, por não conseguir de imediato me soltar em público, por navegar no sombrio lodo de um passado que me machucava sem ter motivos para tal. Afinal, passado é passado.
Lembro do primeiro encontro, na ocasião da palestra do ilustre Ariano Suassuna, algumas cervejas, alguns cigarros, e ela me pareceu uma mulher tão culta, tão legal! Depois, na despedida, um beijo delicioso, um beijo que jamais esquecerei por toda a minha vida. Não consumava-se 'oficialmente', mas acontecia alí, dentro do seu carro (ou, cavalo branco, como gostávamos de brincar), o marco de início de um namoro apaixonado, de uma relação que sonhávamos ser duradoura.
A paixão era intensa; as noites ficavam curtas quando juntos, infinitas quando tão distante estávamos... eu contava as horas para poder vê-la, para beijar aqueles lábios rosados, sentir seus cabelos compridos e tão lindos brincarem no meu rosto. Sua face bela que me obrigava a uma auto-indagação: "como eu, J.L., estou com uma mulher dessas?"
Ela me apoiou desde o início, me inseriu em seu círculo social, me mostrou coisas que eu jamais havia visto, me fez provar sensações nunca sentidas, me fez gostar verdadeiramente de alguém como jamais havia gostado. Havia um carinho mútuo, um 'querer fazer bem ao outro' inigualável, uma ajuda recíproca, um apoio que agradecerei por todos os dias da minha vida. Sou imensamente grato por tudo que me fez!
Então, enfim, conseguí arrumar um emprego!! Poderia ajudá-la como assim ela o fez inúmeras vezes. Poderíamos conseguir coisas juntos, eu poderia presenteá-la como queria tanto fazer antes e não conseguia!! Poderíamos ir ao cinema, teatro, fazer um sem-fim de coisas. Fui à São Paulo para o treinamento da empresa onde trabalho até hoje, fiquei duas semanas lá... as duas semanas mais longas de toda a minha vida!!! A mais de 1000 Km de distância eu contava e juntava dinheiro para poder conversar com ela através do meio que nos uniu, nos melhores momentos da minha estadia no longínquo estado. Aqueles minutos, horas, de conversa virtual amenizavam minha saudade, apasiguavam minha alma que, por deus, queria estar com ela alí, ou em qualquer lugar: o importante era estar com ela!! Conseguia ligar para ela por poucos minutos diários, e ouvir sua tão doce voz que quase fazia meu coração sair pela boca de ansiedade pela volta!! Contava os minutos, as horas para voltar e revê-la!!! E assim se fez; numa noite de domingo retornei, e pude beijá-la com todo o amor que havia guardado durante estes intermináveis dias de distância. Um beijo longo, carinhoso, demorado, perfeito! Eu a amava tanto quanto amo hoje!
Então comecei a morar em sua casa, á partir daquele reencontro. Havia sim o mau - humor das manhãs, as expressões 'ranzinzas' por bobagens, as indiretas inconcientes que tanto machucaram -e me culpo indiscutivelmente hoje por tudo isso- e as palavras duras que não tinham nenhum motivo, palavras que nada justificariam suas presenças. Mas eu a amava, queria estar com ela, lhe ajudava em diversas coisas, mostrava que a queria sempre comigo; fazia declarações, pegava-me inúmeras vezes dizendo a mais simples frase, que expressa toda uma devoção: eu te amo.
Mas a magoei com pequenas coisas, inúmeras vezes. Queria poder apagar toda minha idiotice, todos os meus erros, toda a displicência e até mesmo negligência com que a tratei algumas vezes. Queria poder olhar nos olhos dela e dizer, como muitas vezes já disse, que é ela a mulher que amo, a mulher que tem como moradia absoluta o meu coração, a mulher que me fez enxergar como eu realmente agia e, nestes mais de 4 meses, ajudou-me a crescer também. Dizer que há a vontade de construir muito e muito junto a ela, expressar de todas as formas possíveis o arrebatador sentimento que carrego em mim. E dizer que falhei, dizer que falhei muito e que o arrependimento mata, sim, pois corrói a alma de quem cometeu o erro. E pedir perdão milhonésimas vezes, se necessário, por todas as minhas falhas. Em momento algum deixei de amá-la. Verdadeiramente.

16 junho, 2007

Hurt

Amor há




Tanto por fazer, tantos lugares a visitar, beijos, abraços, o sucesso festejar. Despedaçou-se a taça e o vinho, tão doce, fez-se rubra mancha no tapete da sala e na lembrança do belo sorriso que reside na mente; o castelo no futuro, a nova alma chegando do ventre. Muitas falhas, inúmeras arestas por polir, desejo imenso de se redimir e então crescer, construir uma vida toda ao lado de alguém.
E enfim, nos olhos novamente olhar e dizer: Eu te amo! Você é tudo pra mim!

11 junho, 2007

Dia dos namorados



E quero viver a vida toda contigo! :)

31 maio, 2007

Mensagem



"Quando você
conseguir superar graves problemas de relacionamento, não se detenha na
lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado
mais esta prova em sua vida. Quando sair de um longo tratamento de
saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na
bênção de Deus que permitiu a cura.
Leve na sua memória, para o
resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades. Elas serão
uma prova de sua capacidade, e lhe darão confiança diante de qualquer
obstáculo."


Alma do Mundo, para Chico Xavier

26 maio, 2007

Wieder

O Trovador encontra-se novamente isolado em sua torre. Distante de tudo, longe de todos, vagando entre pensamentos dissonantes, arrodeado de tantas cabeças pensantes, pensamentos de um primata.


13 maio, 2007

Você não é meu filho!

Hoje é dia das mães... Mas, e daí?
Este, pra mim, é um dia que não carrega consigo alguma vibração positiva, nem tampouco brota o sorriso em meu rosto pálido ao lembrar daquela que me colocou por estes lados.
O que é ser mãe, afinal?? Ser mãe é trazer ao mundo uma vida inocente e fazer com que seus pezinhos, tão frágeis, congelem-se nas noites ao relento em busca de míseros trocados? Ser mãe é negligenciar 5 filhos como se estes nunca tivessem existido?? Creio que ser mãe não tem nada com embrulhar crianças em sacos de lixo e jogá-los em lagos, terrenos baldios.
É papel de uma mãe deformar a mão de seu filho recém-nascido a pauladas dado ao motivo que 'ele não queria calar a boca'?!?!?! Abrir as pernas é tão gostoso, não é mesmo??? Mas a criança que virá depois de alguns meses tem culpa disso tudo?
Há tantos pequeninos que moram em abrigos, esperando por um pouco de afeição, por suas mães não existirem. Sim, uso o termo 'não existirem' pois, 'fazer' um filho e não se importar com ele é 'existir' para uma criança??
"Você não é meu filho, é como se fosse uma visita dentro desta casa!!"

Música de trabalho - A Tempestade, ou O Livro dos Dias

Composição: Renato Russo

Sem trabalho eu não sou nada
Não tenho dignidade
Não sinto o meu valor
Não tenho identidade
Mas o que eu tenho
É só um emprego
E um salário miserável
Eu tenho o meu ofício
Que me cansa de verdade
Tem gente que não tem nada
E outros que tem mais do que precisam
Tem gente que não quer saber de trabalhar
Mas quando chega o fim do dia
Eu só penso em descansar
E voltar p'rá casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
De todo o meu cansaço
Nossa vida não é boa
E nem podemos reclamar
Sei que existe injustiça
Eu sei o que acontece
Tenho medo da polícia
Eu sei o que acontece
Se você não segue as ordens
Se você não obedece
E não suporta o sofrimento
Está destinado a miséria

Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
E quando chega o fim do dia
Eu só penso em descansar
E voltar p'rá casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
Do pouco que não temos
Quem sabe esquecer um pouco
De tudo que não sabemos

03 maio, 2007

3 meses

3 meses de história; isso renderia um livro em minhas mãos...
Engraçado o fogo que nasceu dentro da mais completa escuridão hoje, e a cada dia que se passa, cada instante que transcorre, crescer de maneira armoniosa, serena, quase sagrada. Eu, que já não via mais o colorido da aurora; ela, desapegando-se do sentido da vida. Algumas palavras em um blog e a paixão iminente, arrebatadora, o 'querer ver, necessidade de tocar' fez-se presente, culminando no chamado de 'tomamos uma cerveja?'.
Houveram desentendimentos, discussões? Lógico (!), qual relacionamento -não citaremos os amores perfeitos e inabaláveis de Roberto Carlos- não os têm?? Mas, a medida que o tempo passou, o conhecimento do outro tornou-se mais claro e a névoa cinza do desconhecimento deixou espaço para a luz da revelação, meu carinho por esta pessoa maravilhosa só fez aumentar!! Tantos planos, tanta cumplicidade, quanto respeito e carinho... nada foi em vão, nada é demais ou de menos; está tudo religiosamente em seu lugar, onde e como deveria estar.
3 meses de história... e um amor inexplicável, o desejo de querer, quando necessário, dar da própria boca para saciar a fome dela, enfrentar gélidos ventos de outono enquanto ela, tão linda, se aquece sob meu casaco; fazer do impossível algo rotineiro para o seu belo sorriso sempre poder ver.
Agradeço a deus por ter colocado este anjo em meu caminho. Um anjo que eu amo, respeito, admiro e, hoje, tão longe está de mim. Mas, amor, eu volto logo.
Muitos beijos. Te amo.

02 maio, 2007

Se eu...

Se eu soubesse que a chuva cairia
não teria molhado meus cabelos;
se eu soubesse que o vento levaria tudo para longe
não teria oferecido resistência;
se eu soubesse que as letras libertam
eu não teria feito companhia às folhas caídas no outono.
Se eu acreditasse mais em Deus
talvez meu caminho fosse mais rico em luz;
se eu acreditasse somente na derrota
certamente não digitaria estas palavras...
se eu acreditasse no espelho
possivelmente sorriria muito mais;
se eu acreditasse em mim, mas não tanto quanto acredito hoje
os projetos não teriam saido do papel;
se eu acreditasse mais nos outros
não daria o próximo passo.
(e, não dando o próximo passo, não caminharia.)

30 abril, 2007

30/04/07

VIRGEM
Abril trouxe muitas surpresas - e mudanças de consciência. Agora que o mês acaba com um céu mais suave e que traz entendimento e paz, você também pode relaxar. Some seus valores e seus ideais e assim poderá brilhar na profissão. Chegará mais perto de uma ambição pessoal.
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CÂNCER
A medida de seu bem estar hoje será medida pelo sucesso que tiver em criar um clima equilibrado e amistoso em casa, com as pessoas que ama. Vênus em Gêmeos sinaliza que você sentirá o que deve falar e como se comportar para não criar arestas e asperezas. Acredite em seu poder de amar.

21 abril, 2007

Sábado, dia 21 de abril de 2007

Câncer
Porque você começa a redescobrir o gosto pela vida social, também está mais ligado nas idéias que ajuntam as pessoas e as fazem realizar sonhos. Com o pensamento claro e as intenções corretas, será este um ótimo dia para sair e se divertir. E evite alimentos de procedência duvidosa.

Virgem
Astral poderoso para ampliar seu espaço em casa, depois de esclarecidas as aspirações, por meio de dialogo - mas não cutuque os mais próximos. Sua agilidade mental e prontidão de respostas terão ótimo efeito, porem, para uso social e profissional. No amor, converse sobre gastos financeiros.

18 abril, 2007

Retrato de um INFP - Introverted iNtuitive Feeling Perceiving

Seu modo principal de viver é focado internamente, lidando com as coisas de acordo com a maneira com que você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira com que elas se encaixam no seu sistema de valores pessoais. Seu modo secundário é exterior, através do qual você absorve fatos principalmente através da sua intuição.

Você, mais do que outras pessoas que são intuitivas e que dão mais ouvidos aos sentimentos do que à razão, e é focado em fazer do mundo um lugar melhor para as pessoas. Sua primeira meta é encontrar o seu significado na vida, perguntando coisas do tipo: "Para quê eu existo? Qual é o meu propósito? De que maneira eu posso ser útil?". Você é uma pessoa idealista que se esforça ao extremo para atingir os objetivos que identificou para si mesmo.

Você conta totalmente na sua intuição para te guiar, e usa suas descobertas para buscar constantemente o valor da vida. Você está numa missão contínua para encontrar a verdade e o significado das coisas. Cada interação e cada pedaço de sabedoria adquirida é filtrada pelo seu sistema de valores, e avaliada para ver se existe algum potencial para lhe ajudar a definir ou refinar mais ainda seu próprio caminho na vida. A meta final é sempre a mesma -- você se esforça para encontrar um significado e ajudar as pessoas.

Em geral, uma pessoa gentil e de muita consideração, você é um bom ouvinte e deixa as pessoas à vontade. Mesmo que reservado ao expressar suas emoções, você se importa demais com os outros, e é genuinamente interessado em entender e ajudar as pessoas. Esta sinceridade é percebida pelos outros, fazendo de você um amigo especial, e em que se pode confiar. Você geralmente é muito caloroso com as pessoas de quem mais gosta, embora este lugar esteja reservado para poucos.

Você odeia conflitos, e faz o que pode para evitá-los. Se você precisa encará-los, será sempre utilizando a perspectiva dos seus sentimentos. Em situações de conflito, você dá pouca importância para quem está certo e quem está errado. Você simplesmente quer resolver o conflito, pois isto lhe causa um profundo mal estar. Você pode fazer um ótimo papel de mediador, e tem facilidade para ajudar outras pessoas a resolver seus conflitos, porque você entende intuitivamente as perspectivas e os sentimentos de cada um, e quer genuinamente ajudá-las. Mas suas ações, profundamente influenciadas pela emoção, podem fazer com que você tenha muita dificuldade para resolver seus próprios conflitos.

Você é uma pessoa flexível e despreocupada, até que um de seus valores seja violado. Nesse momento você pode se tornar ríspido, lutando com muita garra e paixão por sua causa.

Quando você começa um projeto no qual se interessa, é muito comum que este se torne uma "causa" para você. Assim, mesmo que normalmente você não seja uma pessoa muito apegada a detalhes, você passa a dar uma atenção desproporcional para aquele projeto, esquecendo de todo o resto -- você deve ter muito cuidado para que isso não cause um desequilíbrio em sua vida.

Quanto a detalhes mundanos da vida (como lavar, limpar, passar, etc), você praticamente não está ciente deles. Você pode passar meses sem perceber as manchas no carpete, e, mesmo quando percebe, adia este tipo de tarefa o quanto puder. Isso pode fazer com que problemas pequenos se avolumem, e se transformem em problemas cada vez maiores.

Você não gosta de ter que lidar com fatos concretos e com lógica. Seu enfoque pessoal nos seus sentimentos e na condição humana torna difícil que você lide com decisões impessoais. Você não compreende nem acredita na validade de uma decisão que não leva as pessoas em consideração, fazendo de você uma péssima pessoa para tomar esse tipo de atitude. Você provavelmente evitará análises impessoais, apesar de poder desenvolver esta capacidade, e de conseguir ser bastante lógico. Sob estresse, é comum que você utilize a lógica de uma maneira errada quando, por exemplo, num momento de raiva, em que você cita fatos (e geralmente não completamente corretos) em uma explosão emocional.

Você tem padrões altíssimos para si, e pode ser muito duro consigo mesmo, tendo dificuldade para valorizar suas próprias qualidades. Se não resolver este seu conflito interno, nunca ficará feliz consigo mesmo, e pode ficar confuso e paralisado quanto ao que fazer de sua vida.

Pessoas como você geralmente são escritores talentosos. Você pode se sentir esquisito e desconfortável em se expressar verbalmente, mas você tem uma capacidade maravilhosa de definir e de expressar no papel, e faz isso com muito cuidado.

Você se daria bem se participasse mais de profissões de cunho social, como na área de aconselhamento ou de educação. Você se encontra o mais confortável e feliz possível quando trabalha pelo bem das pessoas, e onde você não precisa usar lógica intensamente.

Se você desenvolver suas potencialidades você poderá realizar feitos maravilhosos, apesar de que provavelmente você nunca ficar satisfeito com eles. E lembre-se: algumas das pessoas que mais causaram desenvolvimentos humanísticos no mundo foram pessoas como você.

__________

O teste que mais identificou com clareza e competência como sou.
http://wiki.inspiira.org/view/Persona/TesteSimplificado

Despeço-me.

17 abril, 2007

Por que um Deus de amor permite o sofrimento no mundo?

"Se Deus fosse bom, desejaria fazer suas criaturas perfeitamente felizes, e se ele fosse onipotente, seria capaz de fazer o que desejasse. No entanto, as criaturas são infelizes. Portanto, Deus não tem bondade nem poder."

C. S. Lewis - O Problema do Sofrimento

10 abril, 2007

Como tudo aconteceu


Aquelas palavras melancólicas mexeram comigo, não sei o motivo. Identifiquei-me com a autora de tão tristes letras no papel virtual e busquei saber quem era, como era; uma necessidade até engraçada, pois também eu afundava no lodo obscuro da depressão e não havia nem sombra de umas recuperações repentinas, quem dirá entereçar-me por aquela desconhecida dos versos de ouro. Como escrevia bem aquela mulher, dizia enquanto me encantavam aqueles textos pessoais dispostos para o mundo todo ler, todos com um português impecável, invejoso, belo. Um momento de alegria tomou conta de minha mente: a dona dos adoráveis escritos era de Brasília também!
Em um famoso site de relacionamentos encontrei-a, uma mulher que me pareceu fascinante. Suas fotos remetiam meus pensamentos às mais impensadas idéias e aos mais loucos desejos. Como podia, dona de um sorriso tão belo e olhar cativante, sofrer tanto como sofria? Lembrei que o mundo é mesmo injusto e esta dúvida pareceu-me desnecessária. Ela, tão linda, tão cheia de vida, inteligente, triste; a identificação com minha pessoa foi mais que imediata! E o calor que as fotos reproduziam em mim, intenso, foi dando lugar a uma ternura sem explicação. Bem, extremamente sentimental que sou, fica fácil uma explicação plausível (!) Mais que depressa lhe deixei um recado, palavras de um puro admirador que tão encantado estava com aquelas palavras traçadas no site. Mais que depressa, como um menino bobo que não deseja perder seu brinquedo mais querido, copiei suas fotos para meu computador para poder apreciar tal beleza sem fim.
A alegria tomou conta de meu ser novamente quando, sem esperar, imaginando que desprezaria minhas palavras, respondeu meu recado agradecendo e complementando que também gostara muito dos meus textos. Entrei em êxtase silencioso diante do PC! Minha face enrubesceu diante do fato que não pude esconder a satisfação naquele momento, e nos momentos seguintes, nos dias que se seguiram.
Mantive contato com aquela mulher até o dia em que li seu convite para uma cerveja com outra amiga sua, que havia chamado a hipótese à questão. Meu chão se fez pó, parecia que meus pés não mais tocavam algo sólido e sustentador e, como sempre faço no momento em que fico contente com algo inesperado, bati uma palma bem alta! Creio que até o vizinho do andar de cima deve ter ouvido a comemoração. Mas então emudeci, sem saber o que responder; não por falta de vontade, pois aquele convite era tudo o que eu mais esperava, mas por timidez exacerbada, uma marca que carregava comigo desde a depressão. Por este motivo o convite não havia sido remetido por mim e, agora, aquelas palavras soavam como um desafio para minha personalidade 'arisca'. Se não aceitar, a perco de vez -sem, no entanto, tê-la, de fato, conquistado, mas, se aceitar, terei que domar esta timidez confusa, este medo de encontros, esta força quase mais forte que eu mesmo. Fechei a janela do site e acendi um cigarro para pensar...
Então, depois de muito refletir e ponderar sobre muito e tão pouco, respondi-lhe com a certeza de um bárbaro gladiador cercado de milhares de olhos aflitos no Coliseu, esperando que aquele brutal homem dê fim ao perdedor, ao derrotado, ao que lutou demais e conseguia, naquele momento, o de menos. Respirei fundo e disse-lhe que sim! Afinal, era apenas um encontro, coisa pouca, nada que pudesse colocar fim ao mundo, ao meu mundo. Contente com minha decisão acertada entristeci-me com imprevistos -que hoje, já nem lembro quais eram - que me fizeram adiar poder olhar naqueles olhos tão belos. Mas propus um novo encontro, agora com a certeza do Pilatos que lavou as mãos diante de Cristo, e ela aceitou, disse estar tudo bem. Mas, como iríamos nos encontrar com alunos dela -sim, ela era professora universitária - julguei melhor deixar para uma próxima vez, deixando que minha timidez guiasse minhas respostas, cometendo um erro cruel que poderia comprometer definitivamente o meu encontro com ela. Afinal, quem, depois de tantos desencontros, quereria ainda encontrar-se com um desconhecido que parece fugir de encontros como um vampiro corre da luz?
Era quinta-feira quando ela, novamente e com paciência e determinação quase religiosos, chamou-me novamente para um encontro, agora no domingo; Ariano Suassuna, ícone da cultura brasileira, palestraria em Taguatinga pela noite, finzinho da tarde. E, como quem diz em entrelinhas 'agora você não me escapa', ofereceu-se para dar-me carona da minha casa, em Águas Claras, até o evento. Aceitei, apesar do frio na barriga (!), trocamos telefones e aguardei até o domingo, que prometia ter uma tarde agradabilíssima.
Então, na noite de sábado, encontramo-nos no tal site de relacionamentos onde tudo começou, e conversamos muito! Rimos, tocamos em assuntos sérios, trocamos breves elogios e, a partir de determinado ponto da conversa, percebi que havia um declínio para algo mais forte que uma simples amizade. Entrelinhas e 'verdes' jogados se mostrando mais e mais convincentes; uma madrugada toda regada a uma conversa agradabilíssima que enclausurara o sono numa dimensão distante, longe daquele momento de descoberta, do primeiro 'conhecer' do outro. Depois de mais de 20 páginas de recados, deixando de lado alguns poucos que eu havia começado a apagar de antemão, o sono bateu do lado de lá; ela ainda estudaria naquele dia, era melhor descansar. "Beijos, boa noite, durma bem. Vemo-nos daqui a pouco”.
Por volta das 16 horas eu me impacientava! "Será que ela vem? Será que me achou um porre? Desistiu? Jamais irá querer olhar-me nos olhos depois da nossa tão agradável conversa boêmia?". O celular ao meu lado não tocava, achei 'fora do tom' ligar, como se estivesse desesperado atrás de uma mulher. Talvez ela não me entendesse. Enquanto assistia Tv, preocupado com a demora daquela mulher, pensava em como agir, planejando quais palavras falar, que termos usar para não parecer idiota. "E se ela tocar em assuntos da nossa conversa anterior pela Internet?" Tentei relaxar enquanto acendia um cigarro e olhava o horizonte, imaginando como seria estar com aquela mulher que despertava algo em mim, como jamais imaginei sentir em minhas veias.
O telefone toca! Pulo de susto e corro ao seu alcance e, meio trêmulo, sem saber o que ouviria, cumprimentei-a. Estava perdida em Águas Claras!! Rimos da situação, ajudei-a no caminho correto e aguardei ansioso os menos de 2 minutos passarem.
O telefone toca! Mas, agora, já não pulo mais de susto: minhas mãos tremem, ela avisa-me que me aguarda em baixo do prédio, da minha "torre". Indaguei sobre seu "cavalo branco", ela o descreveu. Desci, sentindo uma sensação gostosa e confusa.

A caminho do seu carro, numa fração de segundo pensei em como cumprimentá-la, o que dizer de início. Mas, para a minha surpresa, vejo uma mulher vindo ao meu encontro enquanto meu coração quase saia pela boca (!). Linda!! Maravilhosa!! Meu deus!! Aqueles cabelos cacheados soltos ao vento, um corpo escultural dentro de um vestido longo. Seu sorriso, tão belo, obrigou-me a fazer uma pergunta em silêncio para mim mesmo: "Eu estou conhecendo uma mulher dessas??? Meu deus..."
Abracei-a e entramos em seu carro, tendo como destino Taguatinga. O único detalhe é que ela, nem mesmo eu, sabíamos o local onde deveríamos chegar. Imaginei ser no SESI que tem a caminho de Brasília (Plano), mas não era. Depois de rodar e perguntar para algumas pessoas chegamos ao local determinado!! Como em Brasília as pessoas parecem verter do chão quando há algum evento gratuito, não pudemos entrar para assistir sentados, confortáveis. Rodamos as instalações do lugar, encontramo-nos com amigos daquela linda mulher, voltamos para o lado de fora para fumar um cigarro.
Ao lado dela uma vontade foi crescendo, solidificando, esvaindo em forma de suor frio: eu queria muito beijá-la, pegar sua mão, abraçar seu corpo, envolvê-la em meus braços; mas a timidez e a incerteza do desconhecimento da sua reação fizeram com que meu desejo continuasse sendo um simples desejo sem ação. Conversamos, encontramos alunos dela, tomamos algumas cervejas... Até que decidimos sair à caça de algum lugar para conversarmos melhor, tomando uma boa cerveja gelada.
NADA ABERTO EM PLENA NOITE DE DOMINGO!!! Queríamos um mísero lugar para nos sentar e tomar algo, nada de mais!! Rodamos um pouco e, quando as esperanças já estavam nos seus últimos suspiros, algo aberto!! Sentamos e começamos a conversar.
Falei sobre mim, sobre minha vida, revelei coisas que, por deus, não revelaria para uma pessoa que acabara de conhecer. Por um instante me perguntei: "ela deve estar cheia das minhas histórias tristes!! Vou calar a boca, perguntar sobre ela e me calar." Então, ela começou a falar sobre sua vida, suas frustrações, e descobri muita coisa em comum com aquela amável mulher a minha frente. O bar já fechava, então pagamos a conta e fomos para o Guará, onde encontramos um outro ponto aberto, embora estivesse quase fechando também. Conversamos mais uns poucos trinta minutos e voltamos. Era tarde, ela trabalharia na segunda-feira, decidimos voltar embora.
Todo o caminho de volta foi regido por uma dúvida silenciosa em minha cabeça. Devo ou não beijá-la? Se beijar, pode parecer que sou um galinha, que, mal conhece uma garota e já a agarra; por outro lado, posso desperdiçar uma chance única, pode ela estar querendo um beijo e eu, por timidez, não o daria. No impasse permaneci até chegarmos ao meu prédio. O carro parou, brinquei com algo sem sentido no momento e inclinei-me para abraçar-lhe, sentindo meu coração quase me induzir a um infarto!! Foi um abraço tão gostoso, uma noite tão gostosa... Agradeci pela oportunidade e, no fim do abraço, tomei coragem -na verdade, não sei de onde veio tamanha coragem naquele momento - e, lentamente, como nos filmes de cinema, alcancei seu rosto tão lindo e senti seus lábios enquanto tentava imaginar qual seria a sua reação. Para minha alegria e surpresa, aquela mulher bela, de lindos e cacheados cabelos, correspondeu ao beijo. O passado e o futuro perderam completamente seus sentidos e restou apenas aquele momento mágico, onde o tempo recusava-se a passar, onde nós, recém conhecidos, desfrutávamos do beijo mais gostoso que poderia existir. Afaguei seu rosto de pele tão sedosa; sentir sua respiração quente e ritmada era uma dádiva qual eu quase desconfiava ser real. "Estou sonhando?" Não, não sonhei naquele momento, embora tenha sentido que meu corpo todo se enchia de uma serena vontade daquele beijo não acabar mais, não precisar acabar. Meio sem jeito, despedimo-nos e ela se foi em seu "cavalo branco", enquanto eu fumava um cigarro na garagem do prédio, sentindo algo que fazia tempo eu não sentia.
Aquela linda mulher mexeu comigo desde o primeiro instante que a vira.